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À escuta de Francisco

Vivi com grande alegria o encontro com o Papa Francisco em sua residência – Casa Santa Marta – na Cidade do Vaticano, no último dia 3. Éramos vinte e nove bispos, de quinze diferentes países, sendo cinco brasileiros. Concluíamos o Retiro Espiritual promovido pela Congregação para os Bispos. Foi um desejo do próprio Papa que se organizasse anualmente um encontro com bispos que somam em torno de cinco a seis anos de ordenação episcopal com o objetivo de partilhar a experiência do ministério e realizar os Exercícios Espirituais Inacianos. Foram quinze dias vividos como “um tempo para refletir, rezar serenamente, tomar fôlego e renovar as forças”.

Tendo iniciado o encontro no dia 20 de agosto em Arricia, arredores de Roma, e passado em peregrinação ao Santuário Franciscano de La Verna, onde São Francisco recebeu os estigmas, chegamos no dia 25 ao Oásis Divino Mestre, na localidade de Camaldoli, onde dedicamos oito dias ao Retiro Espiritual. Na manhã do dia 3 de setembro, regressamos a Roma e fomos recebidos pelo Papa Francisco. O Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos, apresentou o grupo ao Santo Padre que logo manifestou seu interesse em nos escutar. Muitos tomaram a palavra para agradecer a oportunidade do Retiro e manifestar a riqueza da experiência e seu significado para nosso ministério episcopal.

Estávamos ali, sobretudo, à escuta de Francisco. O Papa dirigiu-nos sua palavra de modo espontâneo, sereno e com paternidade. Estávamos sentados bem ao seu redor, atentos às suas palavras, com o coração aquecido na espera do encontro com o sucessor de Pedro. Ele retomou alguns pontos da partilha e insistiu na importância de o bispo ser antes de tudo um homem de oração, que abraça a missão na diocese tal como deve ser: um enviado a pastorear aquela porção do povo de Deus. Fixando seu olhar em nossos rostos, o Papa nos perguntou quantas horas dedicamos à oração a cada dia. Repetiu com afeto: “Não estou dizendo hora, mas horas”, ressaltando, assim, o lugar central da oração na vida do bispo. Em seguida, pediu muita proximidade com os padres. “São eles não apenas os colaboradores mais próximos, mas verdadeiramente os próximos que o Senhor colocou em suas vidas. Se vocês se perguntarem “quem é o meu próximo”, a resposta será: os padres”. Insistiu na importância desse cuidado com os padres que se transforma em eficaz motivação para as vocações que poderão encontrar no bispo um pastor e pai.

Quando da apresentação do nome e diocese de cada um, logo que o Papa ouviu o primeiro bispo brasileiro se apresentar, interrompeu e lamentou o fato do incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro acontecido na véspera. Gesto delicado e simples, que demonstra sua sensibilidade e como ele acompanha os acontecimentos marcantes de nosso tempo.

Ao cumprimentá-lo, emocionado pedi uma bênção para nossa Arquidiocese de Montes Claros. Também entreguei a ele exemplares da Revista Clarão do Norte com uma minha carta pessoal de agradecimento e de adesão ao seu ministério e magistério neste contexto de controvérsias. Ao final do almoço, tivemos oportunidade de uma foto descontraída. Suas palavras amigas e serenas nos trouxeram a alegria de reconhecer Pedro em Francisco. Dentro de mim brotou a intuição de dizer: coloquemo-nos todos à escuta de Francisco. Foi ele que o Senhor escolheu para conduzir a barca de Pedro neste tempo da história, em meio a alegrias e tristezas, angústias e esperanças.

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Coadjutor de Montes Claros

Voz do Pastor

Dom José Alberto

Arcebispo de Montes Claros (MG)

 

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