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A evangelização e os direitos humanos

Os evangelhos revelam, em diferentes momentos, a consciência de Jesus quanto à sua missão. O Mestre diz: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus” (Lc 4,18). Afirma também: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10). São referências que revelam a missão de Jesus e da Igreja: anunciar o Reino de Deus e tudo fazer para que as pessoas vivam dignamente. Por isso, evangelizar e defender a dignidade da pessoa humana são tarefas inseparáveis. Empenhar-se na preservação da dignidade de todos é um compromisso cristão.

É preciso reconhecer que cada pessoa deve ser plenamente respeitada, sendo esse um direito natural. A fé ilumina ainda mais essa afirmação ao revelar que o mistério do ser humano se esclarece verdadeiramente com o mistério de Jesus Cristo. Se a dignidade foi fragilizada pelo mal (pecado), não deixou de ser resgatada por Deus, que ao fazer-se homem e apontar-nos um caminho, mediante os mistérios da encarnação e da ressurreição de Jesus Cristo, deixou à Igreja a missão de proclamar aos homens e mulheres, de todos os tempos, o Evangelho da Vida. Isto significa que a Igreja deve também trabalhar para que todos sejam respeitados em sua dignidade de filhos e filhas de Deus. Um caminho que exige a promoção dos Direitos Humanos.

A Doutrina Social da Igreja ensina que “o movimento rumo à identificação e à proclamação dos direitos humanos é um dos mais relevantes esforços para responder de modo eficaz às exigências imprescindíveis da dignidade humana” (Compêndio de Doutrina Social, 152). Os Direitos Humanos são o resultado de um entendimento comum sobre a necessidade de se proteger o ser humano vulnerável.  Precisam ser defendidos e aplicados integralmente, pois são expressão da universalidade, da inalienabilidade e da inviolabilidade do valor do ser humano.

Permanece como desafio para os nossos dias consolidar a defesa dos Direitos Humanos nas diversas realidades. É dever das nações tê-los como um mecanismo de proteção das ações coletivas de resolução dos conflitos que favorecem a dignidade e a respeitabilidade da pessoa humana. As instituições sociais, os centros de Ensino e Pesquisa, as nações e a comunidade internacional precisam encontrar formas para efetivar o que determina a Declaração Universal dos Direitos Humanos, considerada por São João Paulo II “uma das mais altas expressões da consciência humana do nosso tempo” (Discurso do Papa João Paulo II à ONU, em 1979).

Perita em humanidade, a Igreja apresenta diversos caminhos de afirmação integral da dignidade da pessoa humana, da prática da justiça, do cuidado do bem comum e do desenvolvimento integral de cada pessoa e da paz. Algumas pastorais da Igreja e associações, inspiradas nos valores do Evangelho, se dedicam com afinco à defesa e à promoção dos direitos humanos. Por vezes surgem rumores críticos em relação ao empenho desses cristãos em favor dos marginalizados. Todavia, nada mais relevante para a compreensão da realidade dos que têm sua humanidade desfigurada do que deles se aproximar. É o que faz a Igreja Católica, por meio dos membros de pastorais e de grupos eclesiais.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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