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A EXPERIÊNCIA DA SOLIDARIEDADE

Todos nós ficamos muito chocados com a tragédia aérea, ocorrida na Colômbia, na madrugada de 29 de novembro, com 71 mortos e 6 sobreviventes, do vôo da Chapecoense. “Todos nós” quer dizer, nós brasileiros, colombianos, latino-americanos, nós de todos os continentes, pois vivemos numa “aldeia global”, em que tudo que acontece, é imediatamente conhecido através da mídia eletrônica. Não quero analisar agora aqui as causas dessa tragédia: falhas humanas causando falhas na aeronave, de funcionamento, mecânicas, eletrônicas, etc… O que é gravíssimo!!!

Deus não é o responsável pela tragédia acontecida! Mas diante dos fatos trágicos acontecidos como foi a reação de um país, no caso a Colômbia, onde ocorreu a tragédia?

Assistimos na noite de 30 de novembro, a vigília de orações, de solidariedade, de homenagem à Chapecoense, e ao Brasil, de valorização da vida, tanto no Estádio do Atlético Nacional, de Medellín, na Colômbia; como no Estádio Arena Condá da Chapecoense, em Chapecó, S.Catarina, Brasil.

Fiquei assistindo, participando, rezando, me emocionando com a reação de SOLIDARIEDADE de todos os colombianos, lotando o estádio para 45 mil espectadores, e os mais de 70 mil, que não conseguiram entrar no estádio, e ficaram na rua fora do estádio. Todos de roupa branca, com suas velas, suas flores, suas luzes, sua presença participante de corpo e alma, formando como dizia a apresentadora: SOMOS UMA ÚNICA FAMÍLIA!

A torcida do Atlético Nacional adotou a Chapecoense como irmã na mesma família: assumiu a sua camisa verde, a sua bandeira, o nome dos seus jogadores, a oração pelos seus familiares, pediu à Comebol para dar o título de campeã da Copa Sul-Americana para a Chapecoense, valorizou a vida de todas as vítimas (jogadores, jornalistas, membros da tripulação). As cores presentes dentro do estádio e fora do estádio: branca e verde, símbolos da paz e da esperança. Muitas crianças entraram no gramado com a camisa da Chapecoense e do Atlético Nacional e ficaram juntos irmanados!

Que EXPERIÊNCIA FORTÍSSIMA DE VIDA: DE FÉ EM DEUS, MISERICORDIOSO, AMIGO, PRESENTE EM TODAS AS SITUAÇÕES, COMO ESSA DE MUITO SOFRIMENTOS; DE VALORIZAÇÃO DA VIDA,  de colegas da mesma profissão, competindo com dignidade, jamais sendo inimigos; DE SOLIDARIEDADE, procurando desde o início da tragédia ver como poderiam ajudar as vítimas, como poderiam valorizar esses jogadores e os profissionais do esporte, como poderiam ajudar e consolar OS SEUS FAMILIARES: SUAS MÃES, SEUS PAIS, SUAS ESPOSAS, SEUS FILHOS, E DEMAIS PARENTES; DE HOMENAGENS, a cada mensagem, a cada oração, eram dados APLAUSOS À FAMÍLIA CHAPECOENSE.

Essa SOLIDARIEDADE, vivida de tantas maneiras, foi assumida pelo povo, pela torcida, pelas autoridades esportivas, civis, religiosas, pelos trabalhadores de socorro e resgate, dos hospitais, etc…

Podemos nos lembrar e rezar com Paulo, na Carta aos Romanos: “Aos que amam a Deus, todas as coisas cooperam para o bem” (= Deus dá um jeito de tirar o bem para nós de tudo), – Rom 8,28. “Se Deus está a nosso favor, quem estará contra nós?” – Rom 8,31. “Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, (…) a morte? (…) Nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, Nosso Senhor”- Rom 8,35-39.

A mensagem do Papa Francisco: “Consternado pela trágica notícia do acidente aéreo na Colômbia, que causou numerosas vítimas do Brasil, transmite suas condolências e sua participação na dor de todos os enlutados, ao mesmo tempo que encomenda a Deus Pai de Misericórdia os falecidos. Pede ao céu conforto e restabelecimento para os feridos, a coragem e a consolação da esperança cristã para todos os atingidos pela tragédia”.

O grito dos torcedores, referindo-se aos jogadores da Chapecoense: “São eternos campeões!” “Campeões desde o céu!”

ESSE ACONTECIMENTO MANIFESTANDO A SOLIDARIEDADE VISÍVEL E SENTIDA, tem muitas aplicações para a nossa vida que continua.

“Que sentido tem tudo que fazemos aqui nesse mundo? Só tem sentido se nos ajudar a AMAR, A SABER CONVIVER, A NOS RESPEITARMOS”, como comentava um ex-jogador de futebol, atualmente comentarista esportivo.

Não tem sentido nenhum um jogo de futebol virar uma batalha de guerra!!! É uma competição, em que todos se esforçam para conseguir o melhor resultado. O importante é competir, ganhar e perder é próprio do esporte. Um jogo realizado com dignidade e no final todos se cumprimentam e se confraternizam.

Vamos APRENDER TAMBÉM AQUI NO BRASIL: A SERMOS SOLIDÁRIOS, A RESPEITARMO-NOS UNS AOS OUTROS, A VALORIZAR A VIDA E OS DONS UNS DOS OUTROS, A VIVERMOS NOSSA VIDA COM FÉ EM DEUS, NOSSO PAI, E COM FRATERNIDADE COMO IRMÃOS DA ÚNICA FAMÍLIA HUMANA, EM QUE NOS AJUDAMOS E NOS SERVIMOS COM ALEGRIA!

***Pe. Luiz Arnaldo Sefrin, Jesuíta – Paróquia do Maracanã

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