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Arcebispo doa seu primeiro báculo ao Museu Regional do Norte de Minas

Muitas homenagens a dom José Alberto Moura, arcebispo metropolitano de Montes Claros, nos seus 11 anos à frente da Igreja no Norte de Minas Gerais, aconteceram na noite de terça-feira (18/09), no Museu Regional, nos fundos da igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José de Montes Claros, primeira catedral da cidade.

Missionários e missionárias do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) na Arquidiocese de Montes Claros, da Pastoral Carcerária, da Pastoral da Criança, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Legião de Assistência Recuperadora (O Nosso LAR), da animação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), além de autoridades públicas civis e religiosas, prestaram sua gratidão ao primeiro arcebispo que visitou as comunidades quilombolas na região da Paróquia Santo Antônio da Boa Vista de São João da Ponte e das cidades de Varzelândia e Verdelândia.   “Estes [missionários e missionárias] fizeram questão de estarem presentes e darem uma pequena lembrança a dom José Alberto”, informou a assistente social, Sônia Gomes de Oliveira, em sua rede social facebook. O vice-reitor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), padre Antônio Alvimar Souza, e o promotor de Justiça, Felipe Gustavo Gonçalves Caires, prestigiaram a homenagem.

Felipe Caires caracterizou de corajoso o arcebispado de dom Alberto, tomado posse nos dias 13 e 14 de abril de 2007. “O que eu posso testemunhar sobre o ministério do senhor aqui na nossa região se resume à palavra coragem. Poucas vezes encontrei um sacerdote com a coragem tão pronunciada como na pessoa do senhor. A coragem não apenas de levar a Palavra de Deus, os ensinamentos de Cristo à nossa comunidade, mas a coragem de se levantar quando alguns irmãos nossos, infelizmente, tentaram submeter os seus irmãos também à injustiça, à perseguição, à pobreza cruel”, destacou e prosseguiu o seu agradecimento ao definir o cristianismo.

“Eu acho que a mensagem do Cristo é uma mensagem de ativismo, não apenas de contemplação, e de idolatria, e de oração. Isso é muito importante, sem dúvida. Mas nós precisamos ser ativos, não demonstrando nada contra o nosso irmão, mas às vezes demonstrando sim algo contra certas atitudes que nossos irmãos cometem. Nós os amamos porque eles são nossos irmãos, estejam certos ou errados. Mas nós temos o dever cristão também de apontá-los quando eles cometem erros que podem prejudicar milhares de pessoas, principalmente quando essas pessoas que cometem erros estão investidas de poderes que lhes foram delegados para trazer o bem-estar à sociedade”, explicou e proferiu mais elogios ao apoio dos organismos sociais arquidiocesanos à Defensoria Pública Regional.

“Eu agradeço muito pela parceria que a Igreja católica, que a Arquidiocese de Montes Claros teve com todos esses órgãos e instituições públicas encarregadas de manter a paz social, de buscar a justiça. Eu me lembro da participação da Arquidiocese na luta contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de Número 37, que pretendia impedir a investigação de políticos corruptos ou empresários poderosos. Eu me lembro da participação da Arquidiocese na defesa do projeto da lei da Ficha Limpa, da luta da Arquidiocese, na época, contra a corrupção nas eleições. Eu me lembro de tudo isso”, recordou e passou a enaltecer a hombridade no caráter do arcebispo dom José Alberto Moura.

“E eu louvo a presença do senhor nestes 11 anos em Montes Claros apoiando esse trabalho. Porque precisamos sair do discurso. Precisamos ir à prática também. É aquela história: a gente está na beira do rio. A gente vê um monte de criança passando sendo tragada pelas águas. Articula para tirar uma criança. Aí vêm duas. Articula e tira as duas, e aí vêm três. Articula e uma escapa. Aí vêm quatro. Vêm cinco e a gente não dá conta. Então, às vezes, além do trabalho de caridade e de filantropia, a gente tem que andar um pouco mais na margem daquele rio pra ver quem está jogando criança no rio. E pra gente reprender a conduta dessa pessoa, porque assim nós vamos salvar muito mais criança, como a Pastoral da Criança deseja. Nós teremos muito menos irmãos encarcerados, recuperados para a sociedade, muito mais presidiários recuperados para a sociedade, como a Pastoral Carcerária deseja também. E eu li isso no senhor: esse testemunho de coragem, de visão, de tentar colocar em prática mesmo o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. E agradeço muito por isso”, reforçou e demonstrou toda a sua tristeza pelo final de governo de dom José Alberto Moura, que completará 75 anos em 23 de outubro de 2018, idade-limite prevista pelo Vaticano para o exercício do episcopado.

“Ficarei triste, de certo, ao saber que o senhor nos deixou, fisicamente falando, mas essa tristeza, essa nostalgia nem de longe pode ser comparada à alegria de saber que o senhor esteve conosco e levou esse testemunho de coragem e de fé para nossa comunidade. E o exemplo que fica é o exemplo de uma vida cheia de significado, uma vida que foi cheia de significado desde o início. O senhor passou lá pela Mooca, já disse pra mim, passou por Brasília/DF, passou por Uberlândia, chegou aqui a Montes Claros e o senhor pode ter a tranquilidade de dizer que construiu uma vida cheia de significado e trouxe muito significado para a vida de todos nós, para as pessoas humildes da população, que enxergam na pessoa do seu arcebispo um pastor que as via com carinho e amor, mas também com coragem, e elas se sentem também encorajadas a lutarem pelos seus direitos, a lutarem contra a opressão. E nestes dias atuais tão tumultuados que pessoas ousam usar os valores cristãos para defender ideias de violência, ideias de intolerância, ideias de perseguição contra um pensamento diferente, é muito importante saber que temos ainda pessoas na nossa Igreja que sabem defender a população dessas tentativas de aliar a Palavra de Cristo a qualquer defesa de ato de violência. Se violência resolvesse as coisas, Cristo teria deixado essa mensagem no seu Evangelho. Foi justamente o contrário que Ele fez. Não é o caminho para o planeta, não é o caminho para o Brasil. O caminho para o Brasil é construirmos cada vez mais uma sociedade cheia de pessoas como dom José, pessoas caridosas, pessoas amorosas e, sobretudo, pessoas corajosas para onde quer que encontre a injustiça tenham a coragem de levantar o dedo e dizer: irmão, eu não vou seguir praticando a violência, mas eu repudio de todo o meu coração a violência que você pratica e eu lutarei contra ela até o fim. Eu agradeço este exemplo que eu tive na pessoa do senhor e que eu vejo aqui que as ovelhas do seu rebanho também te prezam. Muito obrigado e, não se esqueça, não é um adeus, é um até logo. Eu gostei muito da sugestão da reunião das suas crônicas em um livro e, com certeza, se Deus me permiti, eu estarei lá no lançamento desse livro para pegar o meu autógrafo com o senhor. Muito obrigado”, testemunhou o promotor público Felipe Caires.

Coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Criança, Eliane Souza Cândida, mais conhecida pelo apelido de “Léo”, demonstrou todo o seu afeto com o arcebispo dom Alberto. “Muitas sementes foram lançadas desde a sua chegada na Arquidiocese de Montes Claros. Muitos frutos foram colhidos e muitos ainda haverão de ser colhidos, mesmo na sua ausência. O tempo foi passando e as ovelhas foram se acostumando à sua mansidão, humildade e sabedoria, com o pastor e o pai que o senhor é para nós. Mas é chegada a hora do senhor partir. Felizes somos nós por termos podido contar com a presença deste grande pastor, dom José Alberto Moura nestes últimos 11 anos. Este é um momento muito especial. Hoje nos despedimos do senhor com a maior certeza que iremos continuar com a nossa amizade. Peçamos a Nossa Senhora da Conceição e a Nossa Senhora Aparecida que abençoe o senhor neste momento de descanso junto à sua família, depois de tanto doar a vida a Nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa Igreja e, em especial, à Arquidiocese de Montes Claros”, expressou-se a liderança comunitária.

Nessa mesma noite de 18 de setembro, terça-feira, dom José Alberto Moura fez a entrega do seu primeiro báculo ao Museu Regional do Norte de Minas Gerais, “momento bonito de demonstração do seu despojamento. Obrigada, dom José”, mencionou a assistente social, Sônia Gomes de Oliveira.

Texto: João Renato Diniz  e Fotos: Felipe Gomes da Silva

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***Viviane Carvalho – Assessoria de Imprensa Arquidiocese de Montes Claros (38 Vivo) 9905-1346 (38 claro) 9 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected]

Voz do Pastor

Dom José Alberto

Arcebispo de Montes Claros (MG)

 

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