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Das comunidades de redes sociais à comunidade humana

            É esse o tema do 53º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no domingo da Ascensão do Senhor, ou 7º domingo da Páscoa. A cada ano é divulgada uma mensagem pontifícia para esse dia. O tema das redes sociais é atual e representa uma verdadeira revolução no recente mundo das comunicações sociais. O Papa Francisco tomou esse tema como objeto de sua reflexão para a mensagem deste ano. Inspirado na metáfora paulina do corpo e seus membros, o Papa aponta o desejo humano de não se encerrar na solidão, mas de ir em busca do outro. Para isso, cita São Basílio: “nada é tão específico da nossa natureza como entrar em relação uns com os outros”.

            Essa busca do outro encontra sua raiz não apenas na dimensão antropológica, que assegura a sociabilidade como traço próprio do ser humano, marcado pela linguagem e pela cultura. Há, também, o elemento teológico. Para a perspectiva cristã, como seres criados à imagem e semelhança do Deus Uno e Trino, o ser humano traz em seu coração o desejo de viver em comunhão, de pertencer a uma comunidade. A convivência é requisito fundamental para o processo de humanização. Sem o rosto do outro, o ser humano não descobre sua identidade pessoal.

            As redes sociais são, em parte, resposta ao desejo de estar em contato com o outro, de descobrir novos rostos e histórias, de aumentar o conhecimento, de comunicar-se com outras partes do mundo. Possibilitam o estabelecimento de novas relações e a manutenção de vínculos. Há todo um lado maravilhoso e promissor dos recursos da rede. Por outro lado, como todo instrumento pode ser mal utilizado, o mesmo ocorre com a internet. Ela tem sido veículo de falsas notícias, de divulgação de mentiras e é muito potente para destruir a imagem ou fama de pessoas. Não fosse isso, seria desnecessário o surgimento de delegacias de crimes cibernéticos e crimes virtuais.

            Mais da metade da população brasileira acessa a internet. No vídeo tudo parece estar ao alcance de quase todos. O acesso à internet coloca a pessoa com a falsa sensação de ter o mundo nas mãos. A internet, com suas ferramentas, possibilita ao usuário como que a entrada numa biblioteca sem limites, onde as melhores obras estão misturadas ao que de pior a humanidade pôde produzir.

            A Igreja não hesita em utilizar as redes sociais, ciente de que a luz do evangelho pode iluminar o mundo virtual e fecundá-lo com os valores ensinados por Jesus Cristo. Sabe, no entanto, que o virtual é apenas complementar do encontro face a face, no qual os olhares, o abraço, a escuta da voz e o sussurro da respiração confirmam a humanidade do outro e a minha.  Assim, Papa Francisco nos convoca para “abrir o caminho ao diálogo, ao encontro, ao sorriso, ao carinho… Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos [«like»], mas na verdade, no «amém» com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros”.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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