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ESQUECIMENTO DE DEUS

Com o sofrimento e os problemas humanos muitas vezes vem a decepção e o desabafo diante de Deus, como se Ele tivesse esquecido de nós e nos tenha abandonado. O próprio Jesus, do alto da cruz fez o desabafo humano: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Marcos 15,34). Na realidade, o ser humano é limitado à suas contingências da matéria, do tempo e do espaço, mas sua graça de imortalidade o faz superar as vicissitudes passageiras dos limites. Em parte, é o próprio ser humano que sofre as consequências dos próprios desatinos, muitas vezes desobedecendo o projeto do Criador, colocando-se no lugar dele e querendo ditar as normas em confronto com as dele. Nessa perspectiva, o cuidado com o planeta e com tudo o que ele contém não é satisfatório. Vejamos, por exemplo, a agressão irracional do meio ambiente, as injustiças do ser humano, que massacram o semelhante…

Mesmo nos distúrbios sofridos sem sua culpa, o ser humano, olhando ao redor, pode constatar que nem tudo é ruim e que Deus o protege, mesmo não O sendo percebido. Não fosse Ele, seríamos aniquilados e condenados ao sofrimento perpétuo. Aliás, como vive e ensina o Filho de Deus, mesmo o sofrimento pode ser meio de nossa regeneração e fortalecimento de nosso ideal de conquista de realização na vida de sentido. Quantos se convertem depois de terem passado pelo crivo de sofrimentos e problemas. Deus está em todo lugar. Também no sofrimento, quando o aceitamos com humildade e amor.  O profeta lembra que até uma mulher pode não amar seu filhinho. O que não deveria acontecer. Mas Deus, absolutamente não se esquece de nós (Cf. Isaías 49,15).

Deus nos ama e valoriza. Ele não faz o que nos compete fazer. Ele age muito mais do que imaginamos. Mas espera nossa correspondência a seu amor. Aí está nosso mérito diante dele. Fazer nossa parte para retribuir seu amor. Aliás, os problemas humanos, mesmo os maiores e conjunturais e até mundiais, têm jeito de serem resolvidos. Isso acontecerá quando todos estiverem sintonizados com o projeto divino. Jesus veio justamente para nos ensinar e ajudar a fazê-lo. Mas sempre ele deixa nossa liberdade em aceitar ou não suas coordenadas. Por isso, os que o conhecem e seguem, têm a missão de também ensinar aos outros o mesmo. Se os que têm fé verdadeira se omitirem, vamos retardando a superação de nossos males. Eis a necessidade de sermos missionários do Mestre. Ele nos dá a incumbência: “Ide pelo mundo todo e pregai o Evangelho a toda a criatura!” (Marcos 16,15). Evangelizar significa ensinar as pessoas a promoverem o bem conforme Deus. Assim vão  seguir seus ensinamentos.  Serão éticas, altruístas, farão as famílias com os critérios do amor humano e cristão; trabalharão pela justiça e pelo bem comum. Não julgarão o próximo. Serão compassivas e colaboradoras com causas de promoção da vida digna para todos. Ouvirão e colocarão em prática a Palavra de Deus. Saberão confiar na Providência divina, fazendo a própria parte…

  1. José Alberto Moura , CSS – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG

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Voz do Pastor

Dom José Alberto Moura, CSS

Arcebispo Emérito de Montes Claros (MG)

 

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