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Generosidade: uma experiência da gratuidade do amor

 “Há mais alegria em dar do que em receber” At 20,35)

Vivemos num tempo marcado pela busca do prazer a todo custo, da correria desenfreada e de um individualismo exacerbado, porém, neste cenário, como viver o amor fraterno e colocar em pratica os ensinamentos cristãos? Eis o nosso desafio, como diz a música de Padre Zezinho: “Amar como Jesus amou, viver como Jesus viveu”!

Se recapitularmos a vida de Cristo, percebemos um homem que foi implacável em cumprir a sua missão, que não apressou o tempo das coisas, que sempre parou e acolheu aqueles que encontrava pelo caminho, especialmente aqueles que mais precisavam. Eis uma meditação ativa: parar e refletir; parar em meio a tamanha agitação, parar para escutar de verdade aqueles que precisam falar conosco, parar para ajudar aqueles que sofrem, e tudo com o propósito de aprender a virtude da generosidade.

Frequentemente somos chamados a doar um pouco daquilo que somos e temos. Entretanto nem sempre esta doação é pura e plena de sentido. Pode ser uma doação de bens materiais, de uma ajuda financeira ou a doação de nós mesmos, como uma palavra amiga, um tempo para escutar e dialogar, enfim um ato generoso. O quanto estes gestos são genuínos e gratuitos? Na verdade pode ser que nos acostumamos a dar o nosso resto; o resto do nosso tempo, o resto da nossa paciência, o resto dos nosso bens, e muitas vezes o resto do que chamamos ser amor. O que deveria ser nossa generosidade, torna-se algumas vezes  um cumprimento de uma mera obrigação, até mesmo para não termos um peso na consciência. Quantas vezes chegamos em casa tão cansados, que mal conseguimos conversar, ou brincar com nossos filhos, ou partilhar o dia com nossos esposos, ou ouvir nossos pais e amigos, a até mesmo não temos tempo pra conversar com Deus!? Quantas vezes passamos por nossos irmãos “moradores de rua” e ficamos com medo de  que nos pare, ou nos sentimos tão superiores, que achamos que eles merecem o que nos sobra. E quando damos o que nos sobra pensamos que fizemos muito.

O papa Francisco conclamou a igreja para viver uma experiência de amor no Dia Mundial do Pobre. Ouvi algo um dia que me chamou atenção: se temos que criar um dia para o pobre, é porque certamente não estamos sendo muito bons em “ver” nossos irmãos mais pobres e sofridos, nem escutar seu clamor. Mas podemos mudar isso, podemos fazer a experiência de Cristo ao se encontrar com tantos sofredores como o cego Bartimeu, os leprosos, a mulher adultera, e tantos outros. Podemos inclusive fazer a experiência de Cristo quando nos encontrou… não sei como foi seu encontro com  Cristo, mas ele certamente não olhou para sua condição social, seu status, ou seu merecimento, mas Ele só te amou! Somos chamados a simplesmente amar!

Assim, temos um grande aprendizado: reaprender  o conceito de amor, fazer uma releitura do que é a “ Generosidade”. Este  termo diz de uma virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em beneficio de outro. Muita generosidade tem sido carregada de interesse, então não podemos chamar de generosidade. O bem na essência é gratuidade. O generoso faz o bem de coração gratuito, livre e desprendido de qualquer vantagem. O generoso encontra prazer na sua doação, seja da entrega de seus bens materiais ou na atitude de dialogar com uma pessoa que precisa ou na prática de uma obra de caridade. Certa vez Jesus disse que quando for dar um banquete ou um jantar não convidar amigos, parentes e nem vizinhos ricos porque estes podiam nos convidar e seríamos recompensados, mas nos orientou a convidar os pobres e sofridos porque não tinham como nos retribuir e nossa recompensa estaria guardada em Deus. O mestre quer nos apontar para a essência da generosidade, que é o bem feito por amor e que não busca a recompensa ou retribuição imediata. É o bem que torna o outro melhor de alguma forma sem necessariamente ter vantagem ou recompensa em cima da atitude. Atingir este estágio de maturidade é agir de modo evangélico.

E podemos nos perguntar: temos sido de fato generosos? Ou temos dado apenas o nosso resto? Que este advento venha trazer de fato Jesus para nossas vidas, e que Ele venha por inteiro aos nossos corações, porque somente assim seremos capazes de compreender que para ser feliz é preciso amar como Jesus amou!! E então iremos viver a experiência plena da generosidade a permear nossa vida e através dos nossos gestos de doação muitas vidas irão ser beneficiadas e transformadas. Que tal fazer da generosidade um dos fios condutores da sua vida?!

Colaboração de  Gregório Ventura e Eliane Ventura

 

Voz do Pastor

Dom José Alberto Moura, CSS

Arcebispo Emérito de Montes Claros (MG)

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