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Madre Angélica, um ano de saudades

O Carmelo Maria Mãe da Igreja e São Paulo VI foi fundado em Montes Claros, em 8 de setembro de 1977. Entre as primeiras irmãs se encontrava a Irmã Angélica de Jesus na Eucaristia, oriunda do Carmelo Nossa Senhora Aparecida, de Belo Horizonte, onde tinha iniciado sua vida de carmelita aos 18 anos de idade, em 1950. Veio com a missão de ser a primeira priora, o que lhe rendeu o terno título de “Nossa Mãe”, como ainda é carinhosamente citada.

Minha convivência com Madre Angélica foi muito breve. Cheguei à Arquidiocese de Montes Claros, com o encargo de Arcebispo Coadjutor, em maio de 2017. Ela faleceu em junho de 2018. Em um ano de algumas idas ao Carmelo, para celebrações e atendimentos, me deparei com uma pessoa especialíssima. Madre Angélica era única. Costumamos dizer isso para ressaltar a identidade de cada um e realçar o ato divino da criação que nos fez únicos e irrepetíveis. Em Madre Angélica isso era de um modo tão original que eu tinha a impressão de que ela estava aqui entre nós, mas já não nos pertencia. Sua leveza, sua serenidade, sua delicadeza, sua atenção, o tom de sua voz, seu modo de nos fitar… tudo nela me dizia de uma pessoa totalmente humana e totalmente de Deus. Ao escutá-la, tinha o sentimento de ser um privilegiado. E lamentava ter de deixá-la em razão de meus afazeres e compromissos.

A última vez que a escutei foi na véspera do seu falecimento. Era o dia 1º de junho de 2018, memória de São Justino mártir. Por volta das quatro horas da tarde, estava me preparando para uma viagem. Ia celebrar numa cidade vizinha. Tocou o celular e reconheci o número do Carmelo. Ela me ligou em nome das Irmãs, para me cumprimentar pela memória de São Justino. Pura delicadeza! Como lhe falei que já estava no carro para sair, ela delicadamente pediu que eu fosse muito atento na direção, pois as estradas de nossa região são muito perigosas. Pedi que ela rezasse por mim e prometi ser prudente na direção.

Não podia imaginar que em menos de um dia ela seria vitimada por um acidente na estrada. A notícia de sua morte me pegou de surpresa. Eu estava saindo de uma celebração com jovens quando recebi o telefonema com a notícia. Era inacreditável. Todas as pessoas que estavam ao meu redor a conheciam. E um vazio enorme se instalou entre nós quando lhes transmiti a notícia. Todavia, a imediata recordação da fé e da serenidade de Madre Angélica, especial testemunho de fiel discípula de Jesus, mesmo num momento de partida de modo tão abrupto, foi nos apaziguando e nos ajudando a viver a fé pascal.

Eu creio que Madre Angélica encarnava a bondade dos anjos em sua missão entre nós. Isso não a fazia menos humana. Antes, ela era profundamente humana, amorosa e em tudo delicada e dedicada. Madre Angélica viveu sua feminilidade e sua consagração de modo exemplar e nos deixou um precioso legado: a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e a devoção à sua Santíssima Mãe são caminhos seguros de uma vida serena e equilibrada. Que a memória de Madre Angélica desperte em nós o desejo de sermos integralmente humanos e totalmente de Deus, como ela foi.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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