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Morre aos 87 anos, padre Guilherme Michels

A arquidiocese de Montes Claros comunica, com pesar, o falecimento do padre Guilherme Michels. O sacerdote estava internado na Santa Casa de Montes Claros. Em conversa com o Superior Provincial da Congregação dos Missionários da Sagrada Família – Província Brasil Oriental e pároco da paróquia Menino Jesus de Praga em Montes Claros, padre Genivaldo Lopes Soares, MSF, informou que o velório acontece das 23h de 16/02 até as 15h de 17/02 na Igreja Matriz do Menino Jesus de Praga, bairro Alice Maia. As missas de corpo presente serão às 7h e 9h. Em tempo, informamos ainda que está previsto para às 15h, o traslado do corpo do religioso para a cidade de Montalvânia (MG), onde será sepultado, conforme desejo manifestado diversas vezes pelo sacerdote.  Rezemos pelo descanso eterno do querido padre Guilherme!

A edição da revista Clarão do Norte do mês de maio/junho de 2018 fez uma matéria especial com padre Guilherme sobre o Jubileu de Diamante celebrada por ele. Quem não leu, segue abaixo, a entrevista completa pelos 60 anos de vida religiosa do alemão, que deixou sua terra natal em nome da missão, e , assumiu o Brasil como sua Pátria.

Padre Guilherme: Vinhateiro incansável e cuidadoso,
celebra 60 anos de vida religiosa

Nascido em primeiro de abril de 1931, foi no dia 22 de março de 1958 que se tornou sacerdote, o jovem Wilhelm Michels, que aos 27 anos de idade escolheu como lema presbiteral: Não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate pela multidão (Mc 10,45). É o mais velho e único filho homem de uma família de 4 filhos. Aos 16 anos de idade, a vocação gritava no coração do padre Guilherme. Desde o primeiro momento, encontrou nos pais a força e direcionamento para continuar sua vocação. Em uma entrevista descontraída na sala da casa dos Missionários da Sagrada Família em Montes Claros, no bairro Alice Maia, padre Guilherme atendeu a equipe da revista Clarão do Norte e falou sobre o jubileu de Diamante de vida sacerdotal.

Aos 87 anos de idade, o sotaque alemão é a marca registrada do Padre Guilherme que quatro anos depois de ser ordenado, sem saber falar uma palavra em português, foi enviado ao Brasil a pedido do superior. O destino foi a cidade de Januária que acabara de se tornar diocese.

SONHO: Padre Guilherme relatou que seu sonho era fazer missão na Indonésia. Mas quando o superior lhe procurou e falou do Brasil, ele aceitou e então, assumiu este país como sua pátria. Ao ser perguntado como fez para se adaptar no interior do Estado de Minas, sobretudo no Norte de Minas, disse que em relação às missas ele não teve problemas, pois na época os ritos eram em latim. Então, três meses depois que estava em Januária, o superior da casa onde morava pediu que ele fosse para zona rural sozinho fazer casamento e batizado. Ao falar que não daria conta porque não sabia falar uma palavra em português, teve o pedido negado pelo reitor. Em meio a risos, lembrou que outro padre interveio em sua defesa, mas que o superior mandou-o calar-se, e disse que se assim não o fizesse, cortaria suas férias. Algumas pessoas que acompanhavam a entrevista caíram na risada quase que em coro. “Até hoje não sei se as pessoas entenderam o que eu falei, mas eu fui, obedeci”, em meio a sorrisos, confessou o religioso.

No sotaque alemão bem carregado disse: “No outro dia cedo o cavalo já estava na porta da casa. Todos os atendimentos naquela época eram feitos no lombo do animal. Um ano depois foi para a cidade de Manga. Lá permaneceu dois anos, quando de novo recebeu outra missão. Criar a Paróquia Cristo Rei em Montalvânia. E o desafio bateu novamente em sua porta. Pároco em Manga, passou a morar em Montalvânia para cumprir a ordem dada. Ía a cavalo evangelizar por terras desconhecidas do extenso Norte de Minas.

AS MÃOS QUE AJUDARAM: Todos me ajudaram lá. Por isso gosto demais de Montalvânia. Todo mundo que eu pedia ajuda para a Igreja eu conseguia. Criei um laço muito forte. Eu me desliguei completamente da Alemanha, me identifiquei demais com essa cidade. E fiquei por lá 37 anos. Só saí, porque a paróquia cresceu muito, sozinho não dava conta e os problemas de saúde começaram a aparecer.

CONQUISTAS: Durante a permanência do Padre Guilherme em Montalvânia, muitas conquistas foram percebidas na comunidade. Casa paroquial, salão paroquial, Igreja totalmente construída. Outros templos edificados. De todas as contribuições que o padre fez pela cidade de 66 anos e com população estimada em aproximadamente, 16 mil habitantes, o hospital Cristo Rei, um dos melhores da região, foi construído com doação da Alemanha, conseguido pelo padre Guilherme com uma moradora do seu país de origem, proprietária de uma fábrica de cimento. “O que fiz por Montalvânia foi minha obrigação”, disse enfático o modesto religioso.

SAUDADE: Fala com pesar de não poder ir mais à cidade amada. Pois com a dificuldade de locomoção e a frágil saúde, padre Guilherme recebe em casa, amigos que com o tempo se tornaram sua família aqui no Brasil. Sempre que o pessoal de Montalvânia vem à Montes Claros, dão um jeito de fazer uma rápida visita ao padre alemão, que muitos tinham medo, pelo jeito enérgico de agir, mas que traz um coração do tamanho deste país que ele escolheu para viver.

A ESCOLHA: Se não fosse padre o que seria? A esta pergunta respondeu com uma certa dúvida: “Bom, então não sei. Algo ligado a natureza. Aqui no Brasil não tem nome específico para a profissão, mas seria uma espécie de polícia florestal, mas que protegiam ao mesmo tempo animais e plantas na floresta. E ao concluir disse: “Mas sou padre pela graça de Deus”. É a graça de Deus que me fez servir por tantos anos, e brincou: no jubileu de diamante só vivi o jubileu e não vi os diamantes”, mais uma vez levou a todos que acompanhavam a entrevista em uma sonora gargalhada, chamando a atenção do outro padre que estava na casa, padre Pedro Leonides chegou à sala brincando com todos, atraídos pela alegria contagiante.

PADRE NO DIA DE HOJE: Ser padre atualmente é mais difícil. Com esta mentalidade do povo em geral e muito mais difícil sustentar uma vocação. Mesmo assim, aqui no Brasil ainda é mais fácil encontrar e formar novos padres e religiosos. Na Europa, por exemplo, antes tínhamos 250 paróquias, hoje já se falam em diminuir para 50. Mas em qualquer situação é necessário que tenha a vocação. Sem a vocação não adianta a mãe querer, a família sonhar com um filho padre.

A SAÍDA DE MONTALVÂNIA: Mesmo permanecendo de 1963 a 2001 em Montalvânia, foi fácil a mudança. A Congregação não poderia mais manter o padre lá. A Paróquia cresceu muito eu fazia tudo sozinho. Tanto que foi necessário a divisão, quando foi passado para padres diocesanos. Assumiram parte do território: Brasília de Minas, Juvenília e Manga.

DEPOIMENTOS:

“O senhor é um exemplo vivo de que podemos ser sempre seres humanos melhores”. Quanta honra tê-lo como amigo Wilhelm Michels! Que prazer revê-lo! Sou grata a Deus por me permitir cruzar o seu caminho e poder conhecer pessoalmente um anjo enviado por Ele para cuidar de tantas pessoas. Quanta dedicação nesta história linda de doação e amor ao próximo!  Padre Guilherme, o senhor é um exemplo vivo de que podemos ser sempre seres humanos melhores! Deus o abençoe com muita saúde para que possamos dar muitas outras risadas. (Jusciléia Andrade)

“Uma grande graça da minha vida”
É um tanto difícil traduzir esse sentimento que tenho pelo padre Guilherme. Sempre falo que sei distinguir se gosto dele como pai, avô, tio, irmão, enfim, sempre presente nos momentos de alegria e com palavras de conforto nos momentos de tristeza. Posso dizer que este padre é um verdadeiro pai! Uma grande graça da minha vida!
(Denise Borborema)

“Padre Guilherme na minha vida tem o papel de pai”. Aos 22 anos de idade me casei primeiramente no civil e convidei para participar da cerimônia o querido amigo padre Guilherme. Ele simplesmente não compareceu e olha que éramos vizinhos.  Como verdadeiro amigo, no outro dia me procurou e disse que não foi porque eu não casei no religioso. Então, providenciei logo. Em poucos dias ele realizou o meu casamento no religioso.  Vi estampado em seu rosto a felicidade por aquele momento.  Depois batizou minha filha, Nágila. Fui catequista por muitos anos. Fui membro do Conselho Paroquial exercendo a função de secretária.  No Apostolado da Oração ele sempre acompanhava as reuniões e horas santas. Enfim, passei por momentos difíceis como a doença e morte da minha irmã Alice, encontrei no padre força para continuar caminhando. Reforço que padre Guilherme na minha vida tem o papel de pai, assim como na vida de muitas pessoas em Montalvânia. Sinto-me lisonjeada por poder falar sobre ele. Deus o abençoe sempre querido Padre Guilherme. (Marilene Bittencourt)

“Tudo que sei sobre religião, aprendi com ele”
Não sei se padre Guilherme é meu pai ou se é meu filho. A afirmação é de dona Deli Borborema Custódio. Fiel assídua e católica praticante. Durante muitos anos presidiu o Apostolado da Oração na Paróquia Cristo Rei em Montalvânia. “Convivemos muito de perto durante esse tempo que passou por nossa cidade. Sempre falo com ele que tenho um sentimento muito forte por este homem de fé que não sei o considero como meu pai ou meu filho. Aprendi muito com esta criatura de Deus. (Deli Borborema Custódio)

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***Viviane Carvalho – Assessoria de Imprensa Arquidiocese de Montes Claros (38) 99905-1346 (38) 9 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected]

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