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O caminho do diálogo interior

“…porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero este faço…” São Paulo

Barulho…barulho…barulho…assim é o mundo atual. É enorme o barulho que ouvimos externamente, e com toda a agitação que nos causa é desafiante ter um diálogo consigo. Todos temos um diálogo interno, no entanto, muitos não percebem, não sabem e não experimentam; outros não conseguem conviver de forma saudável consigo. O interior está igual ou até mais barulhento que o exterior. Existe um caminho de crescimento no diálogo interior que pode levar ao autoconhecimento, ao discernimento, ao direcionamento positivo e a sabedoria. Que caminho você tem trilhado para crescer interiormente? Como tem sido seu diálogo consigo?

O tenista profissional e técnico Timothy Gallwey autor do “jogo interior do tênis” desenvolveu estudos sobre o diálogo interior dos atletas e descobriu que um jogo era o da quadra, o “visível”, porém o jogo mais importante era o outro jogo que acontece na mente dos jogadores, que denominou “jogo interior”. O jogo interior é disputado contra adversários como falta de concentração, ansiedade, insegurança, medo, nervosismo – enfim, toda interferência capaz de inibir o bom desempenho do atleta. Invisíveis, estes adversários costumam ser muito mais poderosos que o oponente do outro lado da rede. Então, dentro de si você tem o Self 1, aquele crítico interior, que o impede de ser positivo e onde está sempre a duvidar de si. Por outro lado, tem o self 2, a sua parte que acredita em você, quer aprender coisas novas, crescer, desenvolver, arriscar, ir em frente, e ter a confiança e segurança necessária para realizar. Quando você está integro e com um diálogo integrado, onde self 1 e self 2 estão em harmonia, consegue desenvolver o melhor de você em qualquer atividade.

O diálogo interior é esta conversa interna que pode conduzir e direcionar sua vida ou pode produzir em você um sentimento de baixa estima, desconfiança e insegurança. Muitos pensamentos são vozes críticas onde a pessoa pensa “não sou capaz”, “nada dá certo”, “Não consigo fazer isto ou aquilo”, e até perguntas erradas que são feitas como: “o que acontece comigo que não consigo?”, “Por que não sou bom nisto?”. Este diálogo é improdutivo e negativo e muitos são padrões repetitivos e a pessoa que não busca o silêncio interior não percebe o que está acontecendo e acaba carregando isto para a vida inteira. Muitas destas vozes no diálogo interno pode vir de outras pessoas como os pais, amigos, chefes, e podem promover pensamentos de estima e outras vozes atacam diretamente a estima e a confiança para agir deixando sempre sentimentos de insegurança, medo e incapacidade. Todo este diálogo interior pode ser mudado através da percepção e do conhecimento de si mesmo e do direcionamento positivo.

O primeiro passo é o conhecimento de si mesmo (e isto algumas vezes pode exigir uma ajuda profissional especializada). É uma abertura para se perceber, criando condições de silêncio interior, reflexão, oração, trabalho profundo para ir às raízes de crenças que te limitam e interferem negativamente no seu crescimento interior. Aprenda a se questionar positivamente fazendo perguntas como: “o que posso aprender com este fato que não deu certo?” ou mesmo, “Como posso melhorar? O que posso fazer diferente?”. Construir um diálogo positivo e de valor consigo mesmo é essencial para se valorizar, fortalecer sua imagem de filho de Deus, reconhecer seus pontos fortes e fracos, ir adquirindo sabedoria e capacidade de discernimento, enfim, ter uma coerência entre aquilo que pensa e suas atitudes, perseguindo realizar o bem na sua vida. Assim, encontrará no caminho do diálogo interior a presença da sabedoria de vida que o levará a ser uma pessoa mais plena. E então, o que está falando com você mesmo no seu diálogo interior neste momento?

Por Gregório Ventura e Eliane Ventura

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