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O consumismo e a perspectiva da Igreja Católica

A racionalidade é uma marca característica da sociedade moderna. Conforme observa Baudrillard, a modernidade não é nem um conceito político, nem um conceito histórico. Para ele, a modernidade é um modo de civilização característico que se opõe ao modo da tradição. Assim como Baudrillard, a Constituição Pastoral Católica Gaudium et Spes reflete que a modernidade traz em seu seio profundas e rápidas transformações que se estendem progressivamente a todas as estruturas sociais.

Essas modificações são provocadas pela atividade criadora dos seres humanos e seus efeitos reincidem sobre os próprios criadores. Para a Igreja, a modernidade reflete diretamente sobre os juízos de valor, desejos individuais e coletivos, sobre os modos de pensar e agir, tanto em relação às coisas como às pessoas, de tal modo que a transformação social e cultural se reflete em todo o contexto religioso.

Para a Igreja, os humanos encontram sua razão na sabedoria. Os católicos acreditam que, mais do que nos séculos passados, a modernidade precisa de sabedoria para que se humanizem as novas descobertas. A Igreja Católica observa que a humanidade vive hoje uma fase nova da sua história, na qual profundas e rápidas transformações se estendem progressivamente a todos os indivíduos.  Estas mudanças são provocadas pela inteligência e pela atividade criadora e trazem enormes consequências para todos os povos. Um dos aspectos da sociedade contemporânea tem sido a predominância do consumismo. Com seus significados desconexos, nossa sociedade‐cultura expressa aquilo que Giddens denomina de “orientação produtivista para o mundo” segundo a qual os mecanismos de desenvolvimento econômico substituem o crescimento individual e uma vida em harmonia com os outros. A lógica do produtivismo/consumismo orienta a vida de um grupo de indivíduos (consumidores), enquanto um outro grupo (os consumidores falhos, os sem poder de consumo) fica à deriva lutando pela sobrevivência.

A Igreja propõe‐se a responder às exigências de cooperação ao invés de meramente produção para o consumo que hoje se manifestam num mundo caracterizado pelo consumismo exacerbado. Para os católicos, a cultura da cooperação contribui no intuito de promover a consciência da paz. No consumismo, o que domina é a mercantilização do mundo e da vida, tudo é reduzido às leis do mercado, desprezando‐se todo e qualquer outro valor que não seja associado ao lucro.

Vários estudiosos e intelectuais citam que a pós‐modernidade se caracteriza pela cultura do consumo, que reduz o indivíduo à condição de “econômico”. As novas formas referentes ao consumo estão relacionadas com os meios de comunicação, com a alta tecnologia, com as indústrias de informação. A Igreja por sua vez afirma estar comprometida na promoção do ser humano integral. Para esta instituição, valores como a fraternidade e cooperação devem ser incentivados a todo instante. Os católicos compreendem que este tempo histórico que vivenciamos está repleto de crises de valores, que, sobretudo nos países ricos e desenvolvidos, há um subjetivismo difuso, um relativismo e um niilismo que muitas vezes são incentivados pelos meios de comunicação social.

A Igreja entende que a finalidade fundamental da produção não é o mero consumo ou lucro, mas o serviço ao ser humano, integral, tendo em vista à ordem de suas necessidades materiais e às exigências da sua vida intelectual, moral e espiritual.

*Luiz Eduardo de Souza Pinto – Doutorando em Sociologia/UFMG

 

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