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O Evangelho e as fake News

A comunicação entre as pessoas é uma das mais belas experiências humanas. Por meio da palavra e de outras linguagens, a pessoa pode externar seu pensamento, partilhar sua história de vida, apresentar demandas de interação, comunicar suas descobertas, expressar suas dúvidas e angústias, anunciar boas ou más notícias, e muito mais. Para isso, o ser humano inventou diferentes meios de comunicação social. Na atualidade, em razão dos avanços da tecnologia, esses meios se tornaram de grande importância para todos os âmbitos da vida em sociedade, para o desenvolvimento das ciências e para a organização política das nações.

Os recursos da comunicação, meios ou instrumentos, não são bons nem maus sob o ponto de vista ético. É o uso deles pelos seres humanos que pode servir ao bem ou ao mal. Portanto, é a conduta do usuário que é determinante para os resultados. A internet, com todas as suas ferramentas como Facebook e WhatsApp, é um recurso formidável para a socialização do conhecimento e a interação dos usuários. No entanto, como tudo que é atravessado pelo humano é frágil ou passivo de desvio, lamentavelmente, as redes sociais têm sido palco para o anúncio de notícias falsas.

Falsas notícias ferem o princípio fundamental da comunicação que é o de gerar encontro, diálogo e comunhão entre as pessoas. A reprodução de fake news é um desserviço aos meios de comunicação, criados para aproximar e não para distanciar. Se a inexatidão de uma notícia já é danosa, imagine quando se trata de uma notícia falsa. Ofende a dignidade da pessoa, fere o respeito às instituições, inviabiliza processos, enfraquece o tecido social, implanta o descrédito e fragiliza o sentido da verdade.

Nas redes é preciso se perguntar sempre pela fonte informadora. Infelizmente, com muita rapidez as pessoas reproduzem o que encontram sem sequer indagar se é plausível aquela manchete. Basta um pouco de atenção para verificar que a formulação de alguns títulos já contém indicativos para se questionar sobre a veracidade daquela notícia. Como compartilhar é mais rápido e mais fácil que ler, ponderar, conferir a fonte e, até mesmo, denunciar ou contestar, as fake news se espalham.

Ao utilizar as redes sociais, me deparo com pessoas que não se inibem em disseminar a discórdia e o ódio. Todos acompanhamos a última campanha eleitoral. O saldo dos ataques foi desastroso. Há famílias literalmente divididas, irmãos que não mais dirigem entre si a palavra, grupos raivosos a procura de vingança. Nenhum grupo, nenhuma família ou amizade se sustenta pela agressão e pela ofensa.

Os cristãos, discípulos de Jesus, devem ser ainda mais criteriosos no uso das redes sociais para serem fiéis ao anúncio da Boa notícia do Reino. E devem agir sempre a favor da divulgação do que é bom, belo e verdadeiro. Nesse sentido, a melhor notícia é sempre Jesus Cristo e seu Evangelho. Quanto mais você divulgar a beleza da vida comunitária, os efeitos da acolhida da mensagem do Evangelho, a mudança de vida de pessoas e grupos, a defesa da vida, o cuidado da criação, você estará oferecendo a sua parte na construção de uma sociedade mais humana e mais fraterna.

+ João Justino de Medeiros Silva / Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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