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Papa Francisco, obrigado.

            Nomeado Arcebispo Metropolitano de Montes Claros no dia 21 de novembro do ano passado, fui convocado para participar, em Roma, da Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, em 29 de junho. É praxe da Igreja que o Santo Padre, nesse dia, entregue o pálio a cada novo arcebispo. Trata-se de uma espécie de colarinho de lã branca com seis cruzes bordadas ao seu longo, que se veste sobre a casula para a celebração da eucaristia. Costuma-se atravessar três dessas cruzes com cravos que recordam a paixão do Senhor. Papa Francisco alterou o rito, reservando para si o ato de entrega do pálio a cada arcebispo, confiando aos núncios apostólicos a imposição do pálio em celebração nas respectivas arquidioceses.

“O pálio é imposto sobre os Arcebispos Metropolitanos como símbolo da sua comunhão hierárquica com o Sucessor de Pedro no governo do povo de Deus. Ele é confeccionado com lã de ovelha, em representação de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e o Bom Pastor que vela cautelosamente sobre o seu rebanho. O pálio recorda aos Bispos que, como Vigários de Cristo nas respectivas Igrejas locais, são chamados a ser Pastores a exemplo de Jesus. Como símbolo do fardo do ministério episcopal, recorda também aos fiéis o seu dever de ajudar os Pastores da Igreja com as suas orações e de cooperar generosamente com eles para a propagação do Evangelho e o crescimento da Igreja de Cristo na santidade, unidade e caridade” (Bento XVI, 30.06.2008).

            Ao concelebrar a eucaristia presidida pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro, recolho-me no silêncio da oração e agradeço ao Senhor o dom da vocação sacerdotal e o chamado que a Igreja me fez para o ministério episcopal. Sinto-me muito pequeno diante da beleza dos ritos, do canto gregoriano, da solenidade litúrgica, da grandiosidade arquitetônica e artística da Basílica que nos abriga. Muito menor me sinto quando olho para minhas limitações e estendo minhas pobres mãos para receber das mãos do sucessor de Pedro o pálio. Instalam-se em meu coração a emoção e a lembrança do mistério da Igreja de Montes Claros, servidora de Jesus Cristo, anunciadora do Evangelho. Levo para casa o pálio que me vincula ao Santo Padre e à Igreja de Montes Claros. E aguardo o próximo dia 3 de agosto, quando Dom Giovanni d’Aniello, Núncio Apostólico no Brasil, em nossa Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, se fará presente para colocar sobre mim o pálio arquiepiscopal.

            Papa Francisco, obrigado por me confiar a missão de presidir a Província Eclesiástica que reúne as dioceses de Paracatu, Januária e Janaúba, juntamente com a sede arquidiocesana de Montes Claros. Obrigado por me enviar para o chão norte-mineiro e me proporcionar a fecunda experiência de inserção numa realidade de história tão rica e de belezas tão originais. Obrigado por me constituir pastor desse povo religioso, forte e inquebrantável. Obrigado por me proporcionar a alegria de servir o povo acolhedor, querido e amável dessa Igreja de Montes Claros. Obrigado por fazer de mim um bispo missionário, nessas centenas de comunidades espalhadas nos mais de 45 mil quilômetros quadrados da Arquidiocese. Papa Francisco, obrigado.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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