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Província Eclesiástica de Montes Claros

            A compreensão do que é uma Província Eclesiástica na organização da Igreja Católica depende do conhecimento do que é uma Diocese. O Concílio Vaticano II assim a definiu: “Diocese é a porção do Povo de Deus, que se confia a um Bispo para que a apascente com a colaboração do presbitério, de tal modo que, unida ao seu pastor e reunida por ele no Espírito Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia, constitui uma Igreja particular, na qual está e opera a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica” (Decreto Christus Dominus, 11). Com essa definição é posssível entender porque não se deve considerar uma diocese mais importante que outra. Em cada uma delas “está e opera a Igreja de Cristo”. Diferenças de ordem histórica, geográfica, social e cultural podem destacar uma diocese mais do que outra. Mas, do ponto de vista teológico, a Igreja de Cristo está em todas elas.

            No norte e noroeste de Minas Gerais há quatro dioceses, presididas por seus respectivos bispos. São elas: a Diocese de Montes Claros, criada em 1910; a Diocese de Paracatu, criada em 1962; a Diocese de Januária, criada em 1957 e a Diocese de Janaúba, a mais recente delas, criada em 2000. Essas quatro dioceses formam, desde 2001, uma Província Eclesiástica, cuja sede, Montes Claros, recebeu o título de Arquidiocese e o seu bispo, o título de Arcebispo Metropolitano.

            Esse modo da Igreja se organizar reforça o sentido de comunhão que há de ser uma constante. A mesma Igreja de Cristo está presente em Montes Claros, Paracatu, Januária e Janaúba. Os seus bispos são chamados a reforçar os laços de comunhão, tendo sempre a perspectiva da evangelização, continuando a missão de Jesus Cristo, como a razão primeira da Província Eclesiástica. Para isso, a Igreja confere ao Arcebispo Metropolitano o Pálio, como símbolo daquela Província que congrega dioceses.

A fórmula de entrega do Pálio é bem ilustrativa da missão do Metropolita. Confira: “Para a glória do Deus onipotente e o louvor da bem-aventurada sempre Virgem Maria e dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, em nome do Romano Pontífice, o Papa Francisco, e da santa Igreja Romana, em honra da Sé de Montes Claros, a ti confiada, em sinal do poder de Metropolita, te entregamos o Pálio, tomado da Confissão do bem-aventurado Pedro, para que o uses dentro dos confins de tua província eclesiástica. Este Pálio seja para ti símbolo de unidade e sinal de comunhão com a Sé Apostólica; seja vínculo de caridade e estímulo de fortaleza, a fim de que no dia da vinda e da revelação do grande Deus e do Príncipe dos pastores, Jesus Cristo, possas obter, com o rebanho a ti confiado, a veste da imortalidade e da glória. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.”

            Tudo isso traz à memória belo ensinamento do teólogo oriental N. Afanassieff, que dizia: “Em eclesiologia, um mais um é sempre um”. Assim, nossa Província Eclesiástica, as dioceses de Montes Claros, Paracatu, Januária e Janaúba são juntas a única Igreja de Jesus Cristo, assim como cada uma delas, singularmente, é, também, a Igreja de Jesus Cristo. Desejamos que a comunhão entre os bispos da Província seja impulso para a edificação da Igreja missionária e samaritana no norte e noroeste de Minas Gerais, sempre em comunhão com Francisco, sucessor de Pedro.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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