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Religião e ciência: interações e conflitos

A religião confere ao ser humano uma base para se constituir no mundo. Através dela, seres humanos podem imaginar o inimaginável e descrever o indescritível. Por seu papel ao longo da história, a religião foi fundamental para a formação da sociedade. A ciência representa a realidade visível e sensível, é fruto de uma experimentação, do verificável. Embora o conflito entre estes dois campos (religião e ciência) sempre tenha sido observado ao longo dos tempos, as duas vertentes são distintas e não necessariamente opostas. À medida que a ciência aponta as falhas da religião, esta se vê na necessidade de repensar‐se. O conhecimento definido, metodologicamente testado, pertence ao campo da ciência, a fé que ultrapassa o conhecimento definido pertence à religião. Para as questões puramente especulativas, a ciência não é capaz de dar uma resposta concreta. A religião, por sua vez, oferece respostas não científicas ao mundo dos humanos.

O discurso místico e religioso fornece aos crentes um sentido à vida, a ciência e a filosofia não fornecem uma certeza, e nem pretendem tal condição. A religião não é uma categoria universal, mas cultural, gera um ordenamento do universo através da criação de unidades valorativas de sentido. Entre o nascimento e a morte de um ser humano existem instituições que criam referências de sentido aos homens e mulheres. A religião é uma destas instituições. Justamente por isso Niklas Luhmann aponta que a religião torna o mundo definível.

Mas o que é religião? A conceituação sobre religião está vinculada a um contexto sociocultural específico, sendo um produto da academia europeia. Klaus Hock observa que, em outros tempos e em outras culturas, não há uma correspondência com o conceito “religião”. Como observa a antropóloga Bettina Schmidt, precisar o termo “religião” é uma tarefa complexa e possivelmente imprecisa, dado sua amplitude. Embora a terminologia “religião” seja bastante aberta, há um consenso entre os estudiosos da questão: a compreensão científica da religião não pode ser somente religiosa. Cabe então às Ciências da Religião o papel de analisar indivíduos e instituições que estão na unidade de registro da fé, da crença. Justamente por isso não é função deste campo do conhecimento estabelecer uma unidade valorativa para o outro. As Ciências da Religião interpreta o simbólico no qual os indivíduos oscilam e constroem suas referências e, para isso, interpreta o “mundo” que já está constituído para o crente. Os dados coletados pelos estudiosos desta ciência servem para estabelecer relações analíticas.

A religião, para o pesquisador, é um objeto constituído por fenômenos capazes de serem interpretados. Por isso o cientista da religião deve se afastar de todo tipo de preconceitos e interferência no objeto de sua pesquisa. O pesquisador não deve violar os espaços constituídos, mas deve ser crítico e autocrítico acerca de seu trabalho, e deve estar atento para a suspensão dos juízos pessoais para que não ocorra interferência valorativa. A violação de qualquer símbolo religioso significa a violação da religião como um todo. Por isso, para os pesquisadores os meios e os fins devem ser éticos. O discurso religioso visa dar sentido ao mundo. A ciência objetiva compreender o mundo. A ciência trabalha com o que é; a religião trata do deve ser.

*Luiz Eduardo de Souza Pinto – Doutorando em Sociologia – UFMG

Voz do Pastor

Dom José Alberto Moura, CSS

Arcebispo Emérito de Montes Claros (MG)

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