Voz do Pastor

SANTO DE CASA

Jesus não fez muitos milagres em Nazaré, sua terra, devido à incredulidade das pessoas. Elas admiravam seus ensinamentos, mas não tinham fé nele por ser um nascido ali mesmo. Jesus disse: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares” (Marcos 6,4). Por isso, até se diz na linguagem popular que o santo de casa não faz milagres.

Às vezes valorizamos o que é de fora, mesmo se, às vezes, não tem muito valor e não olhamos bem a preciosidade dos que nos rodeiam. Há quem trata bem e sorri para os que não pertencem à sua família de sangue e trata mal e fica de “cara feia” em relação aos de dentro da própria família. De fato, muitas vezes, convivendo com os mais próximos de nós, vemos mais continuadamente seus defeitos. E não observamos bem suas virtudes. Acontece de se ver mais um defeito e não se valorizarem noventa e nove virtudes das pessoas de nosso relacionamento cotidiano. Às vezes acontece o contrário, o de valorizarmos uma virtude e não vermos muitos defeitos dos outros que estão mais fora de nosso convívio!

Por outro lado, se examinarmos bem nosso eu, buscando a verdade ou realidade dele, somos levados à atitude de humildade, percebendo que temos virtudes sim, mas também limites e defeitos que nos deixam interrogando sobre estes e lastimando sobre essa realidade. No entanto, somos levados também a perceber que não estamos sozinhos e contando só com nossas forças diminutas para enfrentarmos tantos desafios da vida. Lembramos as palavras confortadoras do apóstolo Paulo, ouvidas do próprio Jesus: “Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta” (2 Coríntios 12,9). Por isso mesmo não desanimamos quando, em nossos limites, não vemos saída para enfrentar dificuldades e problemas. Sabemos que a fé em Deus nos dá coragem e segurança. Fazendo o que é possível de nossa parte, temos a certeza da ajuda divina para superarmos nossos males.

Na época do profeta Ezequiel Deus o enviou a uma missão difícil para convencer os israelitas rebeldes, corruptos e injustos a aceitar a proposta divina para o seu bem e levar a vida nova dos convertidos para a construção de uma sociedade justa e solidária, promovendo a liberdade e a vida digna para todos (Cf. Ezequiel 2,2-5). De fato, sem viver dentro das coordenadas de Deus, na justiça, na misericórdia e no amor, o ser humano produz degradação do meio ambiente, físico, social e moral, com todas as consequências danosas para todos.

Muitas vezes seria possível a solução de tantos problemas pessoais, familiares e sociais se houvesse mais valorização dos que estão ao nosso redor, conseguindo-se mais relacionamento de diálogo, mútua colaboração e união para se solucionarem dificuldades de toda ordem. Se é “santo de casa”, melhor ainda para se saber que a santidade está aí perto e pode e até deve nos contagiar para o encaminhamento de uma vida melhor. Discutir, por exemplo, em família, em quem votar, para se eleger o candidato melhor possível ou o menos pior para o benefício social, já se colabora por um mundo melhor. Assim também, analisar juntos o que fazer para a promoção de vida mais digna de uma pessoa ou uma família pobre, leva os que o realizam a valorizar mais suas possibilidades de solidariedade humana. E assim por diante!

José Alberto Moura, CSS – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG

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