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Solidão e a oportunidade de dialogar consigo, com os outros e com Deus

A solidão é normalmente um sentimento interno que dói, que machuca a alma. A solidão está presente e não tem idade. Muitos nem a percebem. Pode ocorrer quando se esta sozinho ou mesmo quando se está em um ambiente rodeado de pessoas. Agitado e só. Muitos não param para olhar para si porque não querem enfrentar a solidão interior tão necessária para se descobrir o mais profundo de sua alma. A voz interior que mansamente deseja se despertar.

Um passo importante é aprender a dialogar consigo mesmo. Conversar com você e aprender a gostar de si, a se amar. Falar para você das coisas que te incomodam, aprender a ri de si mesmo, a chorar consigo, a sentir raiva e deixar aparecer os sentimentos, sem no entanto, perder o autodomínio. Este é um dos momentos mais ricos da existência para permitir o amadurecimento, um frutífero encontro com suas motivações mais intensas e um novo significado para sua vida. Um descobrir e redescobrir de propósitos que anima a jornada do autoconhecimento. Nisso surgem as autênticas mudanças que envolvem a mente e o coração, a pessoa inteira. Para esta viagem interior a solidão é um aprendizado para ressignificar aquilo que você é. Permitir a viagem ao mais profundo da sua alma é um ato de fé e coragem. Na vida estes momentos são necessários, pois é a oportunidade de escutar o sopro divino que sussurra ao coração juntamente com a pulsação da vida. Deus sempre fala quando o homem se cala.

Neste processo se vê a pequenez, medita-se sobre os erros, mais acima de tudo é possível ver o valor pessoal, se perdoar e se renovar. Feridas são abertas mais a cura é permitida por mim mesmo, à luz do amor de Deus, à medida que avanço nesta luta interna e deixo o sopro divino agir e me transformar e continuo a caminhada. Nem sempre é tão rápido, mais o importante é caminhar firme. Sentir só não precisa ser o fim , mas pode ser o começo da transformação. Em alguns instantes quando paro para escutar a voz interior percebo que tem algo dentro de mim que está gritando, mas permito conviver e redirecionar para o que realmente vai importar. Nesta dinâmica interior o coração vai se aquietando.

É também nesse silencio interior que se ouvem as vozes que gritam pedindo amigos, pedindo convívio, pedindo flexibilidade para o convívio, pedindo misericórdia consigo e com os outros. Essa voz nos leva a pensar naquilo e naqueles que gostamos, e que tantas vezes nem percebemos. Como anda seu convívio com sua família? E seus amigos, você os tem (poucos ou muitos), com que freqüência conversa e convive com eles? Já pensou sobre o que te faz sentir só: é não ter pessoas ao seu lado ou ter pessoas e não se sentir compreendido…?

Muitas vezes precisamos de algumas destas respostas ou de todas elas, para a medida que nos compreendemos, irmos ao encontro do que nos falta.

Jesus nos ensinou que sair da multidão e isolar-se, contemplar o silencio da alma, é também uma oportunidade para ouvir a voz de Deus. Esse Deus tão grande que se permite estar dentro de nós, e que muitas vezes não o ouvimos, nem ao menos O deixamos falar. Quanta riqueza pode emergir desse dialogo profundo e interior? Quantas curas podem estar reservadas para aqueles que se deixarem ser amados e cuidados por Deus, e curados, levarem Deus se relacionando com todos que o rodeiam. É uma experiência de solidão que se transforma em presença do amor e da vida que vai preenchendo nosso coração, nossa alma e todo o nosso ser. Nesta jornada do autoconhecimento somos todos peregrinos na busca do autodomínio…

*Gregório Ventura, Master Coach. Eliane Ventura, Psicóloga.

 

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