Artigos Artigos de Dom João Justino

Antônio – João Batista – Pedro e Paulo

          Junho é tempo das festas populares em homenagem a Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro e São Paulo (dia 29). Esses santos são padroeiros em muitas comunidades e paróquias. Logo, junho é, em todo o Brasil, o mês das festas juninas e caipiras, animadas espiritualmente pelas expressões da religiosidade popular e da devoção aos santos, cujas vidas merecem ser conhecidas.

            Para os portugueses, Santo Antônio é conhecido como Santo Antônio de Lisboa, onde nasceu. Para os italianos, Santo Antônio é chamado de Santo Antônio de Pádua, onde o Santo morreu. Frei franciscano, que desejava ser missionário na África do Norte, teve de voltar à Europa em razão de uma enfermidade. Percorreu, sobretudo, a Itália, como grande pregador do evangelho. Seus famosos sermões lhe renderam o título de Doutor Evangélico. A história recorda que ele guardava toda a Palavra em seu coração e era capaz, se fosse preciso, de escrever toda a Bíblia novamente, pois a sabia de coração. O Papa Gregório IX o chamou de “Arca do Testamento”. Seu cuidado com os pobres foi o exemplo vivo de um discipulado cristão efetivo. Quem é seu devoto recorda-se da importância do “pão de Santo Antônio” como expressão da partilha fraterna. Na iconografia ele é geralmente apresentado com o hábito franciscano, tendo nas mãos a Sagrada Escritura e o Menino Jesus.

São João Batista é o filho de Isabel e Zacarias e seu nascimento, segundo o evangelho de Lucas, é anunciado com paralelismo ao nascimento de Jesus. Chamado de precursor do Messias, a festa de sua natividade é celebrada no dia 24 de junho, exatamente seis meses antes do Natal de Nosso Senhor. O belo significado de seu nome “João = Deus é graça” abriu os lábios de Zacarias, seu pai, que cantou “Bendito seja o Deus de Israel!” (Lc 1, 68). Segundo o evangelho de João, ele aponta para Jesus como “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Foi martirizado por ordem de Herodes.

            São Pedro, rocha firme, rocha que abriga. Já se disse que Kefas = pedra/rocha significa, também, uma rocha que abriga, uma caverna. Sentido muito expressivo para a missão que lhe foi confiada pelo Senhor: “Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). A Igreja, compreendida como rocha que abriga, é destinada a acolher a todos os que aceitam o convite de se tornarem discípulos de Jesus Cristo. Bonita imagem para a Igreja chamada a ser missionária, misericordiosa e pobre.

            São Paulo foi chamado pelo Ressuscitado no caminho de Damasco (At 9,1-31), para onde se dirigia com a intenção de prender os cristãos. Vive uma radical conversão que o faz passar de perseguidor dos cristãos a apóstolo das nações. Suas cartas estão presentes no Novo Testamento e são, junto com os Evangelhos, preciosa fonte para a vida do cristão.

É muito interessante observar como a devoção popular encontrou um jeito tão brasileiro para festejar estes santos. As vestes caipiras, as comidas da roça, a fogueira, as quadrilhas, as canções… O clima de inverno colabora para o aconchego dos encontros e das danças ao redor das fogueiras. Aproveitemos os festejos desses santos para crescermos na fé e na comunhão com Deus e com os irmãos. Sigamos os seus exemplos.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

Adicionar Comentário

Clique aqui para postar seu comentário

Artigos de Dom João Justino

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

Luz para os Meus Passos

AGENDA

SuMoTuWeThFrSa
 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

 
 « ‹jan 2022› » 

REVISTA

 

ENQUETE

No ano em que realizaremos a IV AAP (Assembleia Arquidiocesana de Pastoral) a Diocese de Montes Claros comemora quantos anos de criação?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...