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Arcebispo anuncia Santuário Arquidiocesano em Bocaiuva

Um capítulo especial começou a ser escrito na Igreja no Norte de Minas na manhã desta terça-feira, 14 de setembro de 2021, dia em que a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. O arcebispo metropolitano de Montes Claros, dom João Justino de Medeiros Silva, anuncia solenemente a criação e instalação do Santuário Arquidiocesano Senhor do Bonfim em Bocaiuva. O anúncio foi realizado em missa celebrada às 7 horas da manhã, dentro da programação do Dia Devocional ao Senhor do Bonfim, em Bocaiuva.

Dom João Justino recordou que, desde que chegou a Arquidiocese de Montes Claros, em 2017, tem observado a força da fé cristã do povo norte-mineiro, a forte identidade católica e o tesouro de potencial evangelizador de muitas das comunidades eclesiais.  O arcebispo sublinhou, “encontramos na cidade de Bocaiúva uma qualificada devoção ao Senhor do Bonfim que se expressa não apenas na festa anual, que reúne milhares de peregrinos, mas nos atos devocionais cotidianos da população católica residente, que zela pela belíssima imagem do Crucificado sob o título Senhor do Bonfim e que se encontra no altar principal da igreja. O povo bocaiuvense se orgulha de sua cidade ser chamada “Terra do Senhor do Bonfim”.”

Durante o anúncio, dom João, também destacou a imagem do Cristo Ressuscitado que está na arquitetura da igreja, pode ser vista de diversos ângulos da cidades e por todos que por ali passam. “No alto de sua torre está uma imagem do Senhor, vivo e ressuscitado, com os braços abertos abençoando a cidade, as famílias e os peregrinos.” E observou “a tudo isso se acrescenta que há um vivo desejo do povo católico de Bocaiúva ver a Igreja Matriz do Senhor do Bonfim elevada à categoria de Santuário”.

Nesses mais de quatro anos que aqui está, Dom João diz que chegou ao discernimento e a convicção “de que é não só oportuno, mas necessário e urgente estabelecer a Igreja Senhor do Bonfim em Bocaiúva como Santuário Arquidiocesano, em sintonia com o que diz a Igreja: “Sob a denominação de santuário, entende-se a igreja ou outro lugar sagrado, aonde os fiéis em grande número, por algum motivo especial de piedade, fazem peregrinações com a aprovação do Ordinário local” (Cân. 1230).”

O dia 14 de julho de 2022 é a data em que Dom João se compromete para instalação canônica do Santuário Arquidiocesano Senhor do Bonfim, e aponta “até lá percorremos um itinerário de oração, de escutas, de encontros para estudos e planejamentos. Desejamos que nosso primeiro santuário arquidiocesano prime pela qualidade do acolhimento, das celebrações litúrgicas e dos atos devocionais, da catequese, da comunicação, da promoção cultural, social e de cuidado com a Casa Comum. Uma Paróquia sede de santuário pede servidores – padres, diáconos, consagrados(as), leigos e leigas evangelizadores – imbuídos todos de ardor missionário.”

O arcebispo concluiu o anuncio desejando que “O Santuário seja uma fonte reparadora, qual um oásis, para nossa Arquidiocese apostar nas pequenas e múltiplas comunidades que buscarão sempre mais se alimentar da Palavra de Deus e do Pão Eucarístico para se oferecerem na caridade e na missão. O Santuário aponte a todo momento que o desejo do Senhor do Bonfim é que todos estejamos a serviço do Evangelho da Vida. O Santuário, qual uma enorme cruz plantada no centro da arquidiocese, aponte para a misericórdia de nosso Deus cujo Filho nos amou e por nós se entregou. O Santuário nos proporcione ser acalentados pela Mãe das Dores que se tornou ao pé da cruz, Mãe da Igreja. O Santuário, em alguns momentos repleto de fiéis, noutros com alguns poucos fiéis, ajude a cultivar em nós a certeza da promessa de Jesus: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, ali estarei eu no meio deles” (Mt 18,20).”

Confira na íntegra a Carta de anúncio da criação e instalação do Santuário Arquidiocesano Senhor do Bonfim em Bocaiúva.

Dados Históricos

Imagem: Senhor do Bom Fim de Setúbal, Portugal.
Foto: arquivo pessoal de Pe Pedro Henrique da Cruz

A devoção ao Senhor do Bom Fim tem origem na cidade de Setúbal, em Portugal, quando uma imagem do Crucificado fora encontrada flutuando em um rio daquela localidade. Os moradores começaram logo a venerar aquela imagem do Cristo, buscando para ela um “bom fim”, ou seja, um bom lugar para guardá-la. Desde então, a imagem, que não tardou a ser chamada de “Nosso Senhor do Bom Fim”, foi abrigada numa pequena igreja dedicada ao “Anjo da Guarda”. No início do século XVIII, a devoção à imagem do Senhor do Bom Fim tornou-se ainda mais conhecida, quando o príncipe de Portugal, D. João V, esteve diante dela para suplicar pelo restabelecimento da saúde de seu pai, o rei D. Pedro II.

Ao assumir o trono português, D. João V fomentou, em Portugal e no Brasil, a ereção de diversas igrejas em honra ao Senhor do Bom Fim. A primeira igreja construída no Brasil foi a de Salvador (1745), quando o capitão de mar e guerra da marinha portuguesa, Theodózio Rodrigues de Faria, pagando uma promessa feita ao Senhor do Bom Fim, trouxe para o Brasil uma réplica da imagem setubalense. Duas décadas depois, já se achava construída em Bocaiúva uma capela filial em honra ao Senhor do Bom Fim, onde se venerava uma pequena imagem de origem baiana. Um terreno superior a 15 milhões de metros quadrados fora doado por Dona Antônia Leite Pereira e Sr. Faustino Leite Pereira, para a formação do patrimônio do Senhor do Bom Fim. Na ocasião, o povo de Bocaiúva era assistido pelo Padre Francisco Medeiros Cabral, que era padre coadjutor da Matriz de Santo Antônio de Itacambira, tornando-se, em 1775, o primeiro vigário do Arraial do Senhor do Bom Fim.

À medida em que crescia o arraial, a capela de Bocaiúva também precisou ser aumentada, havendo então a necessidade de uma imagem maior. Com esta finalidade, outra imagem, de grande porte, foi esculpida nas oficinas de São João del Rei. Esta imagem, venerada no retábulo da atual Matriz, atrai todos os anos milhares de devotos e peregrinos. Quanto à lenda de uma imagem que era trazida aos ombros de escravos e quis permanecer na região de Bocaiúva… não se pode negar! Ela se fixou de tal modo nesta terra, nessa gente, que não há mais possibilidade de retirá-la da alma dos bocaiuvenses!

Em 1845, a igreja do Senhor de Bocaiúva foi elevada à Paróquia. A semente plantada no árido sertão norte-mineiro tornou-se uma árvore frondosa. À sua sombra, cresceu a cidade. A pequena capela cresceu de tal modo que o número de devotos que acorrem, anualmente, à Matriz do Senhor do Bom Fim regou o antigo sonho de fazer dela o primeiro Santuário do Norte de Minas: o Santuário do Senhor do Bonfim!

(Dados históricos: Padre Pedro Henrique da Cruz)

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***Fabíola Lauton – Comunicação da Arquidiocese de Montes Claros
(38) 9 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected]

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