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As bem-aventuranças da vida cristã ecumênica

Imagem: Vatican News

Na Quaresma de 2021 a Igreja Católica no Brasil realiza mais uma edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica. No formato ecumênico, a Campanha da Fraternidade é organizada pelas Igrejas membros do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, CONIC. Foi assim em 2000, 2005, 2010 e 2016. Neste ano o tema é “Fraternidade e diálogo, compromisso de amor”, e o lema “Cristo é nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2, 14a). Para uma adequada compreensão dos motivos de uma ação ecumênica desse porte, é importante ter presente a triste realidade da separação dos cristãos e o apelo de Jesus pela unidade, expresso no evangelho de São João (cf. Jo 17, 21).

A história do ecumenismo é muito bonita, um verdadeiro sinal da ação do Espírito de Deus na vida das Igrejas e das comunidades eclesiais. A Igreja Católica assumiu o caminho do ecumenismo, definitivamente, com a realização do Concílio Vaticano II (1962-1965), não obstante diferentes iniciativas nessa linha já tivessem sido realizadas. O carisma de São João XXIII ou “Il Papa buono”, como é chamado pelos italianos, muito contribuiu para isso. Ele gostava de dizer que em termos de diálogo devemos iniciar pelo que nos une. Essa é uma preciosa indicação.

A Igreja do Brasil assumiu o caminho ecumênico tal como proposto pelo Concílio Vaticano II. Nestas terras, muitos bispos, padres, religiosos(as) e leigos(as) deram e têm dado a vida pela unidade dos cristãos. Em 1998, o CONIC e o CLAI Brasil – Conselho Latino-Americano de Igrejas no Brasil organizaram uma cartilha que precisaria ser mais divulgada e apresentada em nossas Igrejas. Publicada a partir da parceria entre as Editoras Sinodal e Paulinas, intitula-se “Diversidade e comunhão. Um convite ao Ecumenismo”. Dentre as preciosidades que ali se encontram está um capítulo com indicações bem práticas na linha de atitudes pessoais para a edificação da unidade. É um convite para cada pessoa assumir um estilo de vida inspirado na busca da unidade. A felicidade ou bem-aventurança é o que todos buscamos. Ela passa pela construção da paz. E não haverá paz verdadeira sem a paz entre as Igrejas e as religiões.

A cartilha apresenta as dez bem-aventuranças da vida cristã ecumênica, a saber: Bem-aventuradas as pessoas que amam sua Igreja; Bem-aventuradas as pessoas que sabem dizer quem são sem desvalorizar o outro; Bem-aventuradas as pessoas que sabem ouvir e querem conhecer as outras; Bem-aventuradas as pessoas de Igrejas diferentes que trabalham juntas por um mundo melhor; Bem-aventuradas as pessoas que partilham dons e recursos na evangelização; Bem-aventuradas as pessoas que sabem curar feridas; Bem-aventuradas as pessoas que ensinam crianças e jovens na espiritualidade da reconciliação ecumênica; Bem-aventuradas as pessoas que veem na diversidade uma riqueza; Bem-aventuradas as pessoas que vivem a alegria da oração ecumênica; Bem-aventuradas as pessoas que cultivam as qualidades necessárias à vida cristã ecumênica.

O cristão que se alimenta dos ensinamentos de Jesus Cristo descobre, nessas bem-aventuranças, um roteiro para viver sua relação não apenas com irmãos de outras igrejas, mas no interior de sua própria comunidade de fé. O caminho é atuar sempre em favor da unidade. Não é difícil. E tudo começa lá no coração, sede da espiritualidade.

+ João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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