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Artigo: Casa, escola e praça

Imagem: Sistema Positivo

Mesmo com a pluralidade legítima dos métodos de ensino, a educação só pode acontecer na relação interpessoal. E no âmbito escolar, ou na sala de aula, no centro está a relação professor-aluno. Mulheres e homens se tornam professores não porque têm formação acadêmica que lhes habilita ao magistério, mas porque entabularam a relação com educandos e trilharam o caminho do aprendizado. Nesse sentido, o êxito da educação vem sobretudo da qualidade dessa relação professor-aluno, marcada pela descoberta de valores, conhecimentos, atitudes, virtudes e sentimentos que humanizam tanto um quanto outro.

Esse modo de compreender a educação e a escola está fundado num espaço inter-relacional anterior que é, ainda, mais forte e determinante para o aprendizado. Trata-se da família, qual arranjo de relações em que os pais educadores transmitem valores, conhecimentos, atitudes, virtudes e sentimentos. No âmbito familiar a criança aprende a falar, a conversar. Na escola ela é alfabetizada, isto é, aprende a ler, a escrever, a contar. Em casa e na escola a criança assimila valores dos educadores, sejam eles pais, sejam professores. A responsabilidade primeira pela educação dos filhos pertence aos pais. Eles – com muitos e eventuais limites – escolhem a escola para seus filhos. Há, portanto, uma relação fundamental de cooperação entre família e escola. Somente pelo diálogo, pais e professores podem pactuar em favor de uma educação integral e integradora. Na pólis, esse diálogo não fica restrito à família e à escola. Há um terceiro interlocutor, a sociedade.

É nesse horizonte que Papa Francisco propôs aos líderes do mundo, em 2019, que trabalhem em favor do Pacto Educativo Global. O futuro da humanidade passa ineludivelmente pela educação. E família, escola/universidade e sociedade são os agentes educadores chamados a pactuar entre si, em torno de um núcleo comum de valores, como explicita o Papa: “a) colocar no centro de cada processo educativo – formal e informal – a pessoa, o seu valor, a sua dignidade para fazer emergir a sua especificidade, a sua beleza, a sua singularidade […]; b) ouvir a voz das crianças, adolescentes e jovens a quem transmitimos valores e conhecimentos, para construir juntos um futuro de justiça e paz, uma vida digna para toda a pessoa; c) favorecer a plena participação das meninas e jovens na instrução; d) ver na família o primeiro e indispensável sujeito educador; e) educar e educarmo-nos para o acolhimento, abrindo-nos aos mais vulneráveis e marginalizados; empenhar-nos no estudo para encontrar outras formas de compreender a economia, a política, o crescimento e o progresso, para que estejam verdadeiramente ao serviço do homem e da família humana inteira na perspectiva duma ecologia integral; f) guardar e cultivar a nossa casa comum, protegendo-a da exploração dos seus recursos, adotando estilos de vida mais sóbrios […]”.

A beleza de uma casa, de uma escola e de uma praça são as pessoas. Quanto mais essas se interagem, mais crescem e aprendem. Nossa homenagem aos professores e professoras se estende a todos os educadores que nas casas, nas escolas e nas praças apostam no futuro de fraternidade, paz e justiça para a humanidade.

 

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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