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Da perda à oferta

Padre Paulo Roberto Marques concelebrando com Dom João Justino na Catedral Metropolitana de Montes Claros, onde era vigário. (Foto: Pascom Catedral)

Fomos surpreendidos na noite do último domingo, 24 de janeiro, pela triste notícia do acidente sofrido pelo Pe. Paulo Roberto Marques, 42 anos. Vigário paroquial da Catedral Metropolitana de Montes Claros, ele se encontrava de férias com sua família em Bocaiúva, sua terra natal. Cuidadoso com seus pais, organizou um passeio familiar junto com seu irmão e sua cunhada. O projeto era visitar algumas localidades vizinhas onde se encontram pousadas, cachoeiras, contato com a natureza. Iniciaram pelo distrito de Curimataí, município de Buenópolis/MG. Após o café da tarde na pousada escolhida, foram os cinco familiares conhecer uma das belas cachoeiras. Fizeram fotos. Estavam desfrutando da convivência entre eles e da beleza da criação. Inesperadamente, Pe. Paulo Roberto escorregou e caiu nas pedras da cachoeira, submergindo, em seguida, num fundo poço. Terrível fatalidade. O sacerdote perdia ali a sua vida. Quando a notícia se espalhou, era difícil acreditar que fosse verdadeira. O corpo foi resgatado no início da tarde de segunda-feira. O sepultamento foi realizado no dia seguinte, após velório na Igreja Paroquial Sagrado Coração de Jesus, em Bocaiúva.

A família, a Arquidiocese, amigos e conhecidos, estamos todos fortemente impactados pela perda desse jovem sacerdote ordenado há dez anos. Do meio da dor brota uma chama de gratidão que ilumina nosso olhar de fé. Somos todos convidados à memória agradecida. Recordar os gestos de vida, de bondade, de amor e de serviço que caracterizaram a vida do Pe. Paulo Roberto. Bendigamos ao Senhor que nos deu a graça de ter Pe. Paulo Roberto como filho, irmão, pai espiritual, padre, conselheiro, servidor… Cultivemos dele as boas lembranças e tudo depositemos no altar da gratidão.

Muitos se fizeram, imediatamente, solidários, e, de tantos modos, se envolveram para trazer ajuda, consolo, colaboração. Não sabemos como agradecer nominalmente a cada um. Ainda assim, queremos registrar nosso agradecimento ao apoio do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e da Perícia da Polícia Civil de Curvelo, da Prefeitura de Buenópolis, por meio da Secretária de Turismo, do diácono da Arquidiocese de Diamantina, Phillipe Nogueira Tolentino, da comunidade de Curimataí, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Bocaiúva, na pessoa do Pe. Raimundo Carlos Pereira da Silva, dos padres Antônio Brígido Lima e Harlley Caldeira Mourão e de tantos outros que se fizeram solidários.

Convido os familiares do Pe. Paulo Roberto, as comunidades que foram atendidas por ele, os padres da Arquidiocese de Montes Claros, amigos e amigas, para transformar essa perda em oferta. Sim, o momento pede de nós o doloroso gesto de abrir as mãos e entregar a vida, a vocação, o ministério, a história do Pe. Paulo Roberto nas mãos do Senhor da vida e da história. Como cantamos na celebração do funeral, convido a todos que proclamem, com as mãos elevadas aos céus: “Ó Tu, que és o Senhor da vida, recebe em Tuas mãos a sua vida”. Deixemo-nos guiar pela fé. Lembremo-nos das palavras do apóstolo: “Caminhamos pela fé, não pela visão” (2 Cor 5,7). Sobretudo, professemos nossa fé: creio que todo aquele que vive e crê em vós, Senhor Jesus Cristo, mesmo que morra, viverá (cf. Jo 11,25-26).

+ João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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