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Artigo: “Deus faça crescer!”

O Papa Francisco, recentemente, dedicou suas catequeses à figura de São José. Isso porque, após o ano dedicado ao artesão e patriarca da Sagrada Família, muito há, ainda, que se inspirar com sua vida. Francisco iniciou suas catequeses ressaltando o significado do nome. Segundo ele, o significado do nome José, em hebraico, é “Deus aumente, Deus faça crescer”. Trata-se de um desejo, uma bênção baseada na confiança na providência e se refere, especialmente, à fecundidade e ao crescimento dos filhos.

Por muitas vezes, vê-se que esta característica esteve presente no silencioso José de Nazaré. Sua confiança e entrega a Deus foram testemunhadas em suas ações. Aliás, não se poderia esperar algo diferente de quem, como bom artesão e carpinteiro, aprendeu a falar com as mãos. Vemos essa certeza na providência divina nos seus mais diversos gestos, tais quais na acolhida da Virgem Mãe como sua esposa, na acolhida do Menino Deus como seu filho, na imediata fuga para o Egito.

“Deus faz crescer”, nos ensina a vida de São José, mas conta com corações disponíveis e confiantes, com as mãos e os pés ágeis para se pôr em missão. Também ele nos ensina que a bênção divina acontece no silêncio e escondimento da vida, à medida que nos tornamos as mãos pelas quais Deus se achega a cada pessoa, consolando-a, erguendo-a; ou quando somos a voz que anima dizendo: coragem!

Meditar a vida de São José no período quaresmal deve causar em nós um desejo de conversão, de “deixar Deus crescer em nós”, de deixá-lo agir e falar em nós. Isso porque somos chamados a apoiar o desenvolvimento da vida humana, em sua integralidade e durante toda a sua duração natural. Fazemos isso no cotidiano, quando investimos tempo escutando alguém que nos procura para desabafar; quando enxergamos as pessoas, com suas potencialidades e limitações, e não apenas as funções e cargos que ocupam; quando nos dispomos a falar com sabedoria e ensinamos, com amor, os caminhos da humanidade (cf. Pr 31,26).

Celebrar José, o esposo de Maria, é, ainda, falar do carpinteiro de Nazaré como protetor da Sagrada Família. Ele educa e guarda a Virgem e seu Filho, gerando laços que ficam marcados e ecoam depois no ministério de Jesus. Isso porque, como bem lembrou o escritor lusitano Valter Hugo Mãe, a humanidade começa nas pessoas que nos rodeiam. Por isso, podemos dizer, sem medo, que, de José e Maria, brotou o fruto preciosíssimo de uma nova humanidade que Deus fez crescer.

É mister voltarmos para os nossos grupos de convivência – família, escola, amigos, trabalho – e refletirmos se somos presença como a de São José, que exala o perfume do cuidado de Deus por todas as criaturas. Que também em nós, neste tempo quaresmal – pelo jejum, pela oração e pela caridade, e com a intercessão de São José – Deus possa fazer crescer um coração novo, uma humanidade nova, mais confiante no amor sempre providente de Deus.

 

Equipe Arquidiocese em Missão
Arquidiocese de Montes Claros

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