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Artigo: “Fala com sabedoria, ensina com amor”

A Quaresma é um tempo marcante na caminhada cristã, por ser um período no qual os fiéis são chamados, de forma mais intensa, à prática da penitência. À vista disso, a Igreja orienta à prática da oração, do jejum e da caridade. Essas práticas auxiliam-nos a reconfigurar a nossa vida à vontade de Deus, levando-nos, pelo auxílio da Graça, a despojarmo-nos do homem velho e, em Cristo, revestirmo-nos do Homem Novo (cf. Ef 4, 21-23). Tal itinerário de revisão de vida e conversão está em vistas da preparação a celebração do Mistério Pascal de Cristo.

Durante esse tempo litúrgico, a Igreja no Brasil propõe a “Campanha da Fraternidade”, que é um dos modos para se viver a espiritualidade quaresmal. O objetivo da “Campanha da Fraternidade” é despertar os fiéis para a solidariedade em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos de superação à luz do Evangelho. Neste ano de 2022 o tema a ser refletido é “Fraternidade e educação” e o lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (Pr 31, 26).

O lema, retirado do livro de Provérbios, provoca-nos a repensar a nossa prática educacional, a qual não está reduzida somente ao ato escolar, à transmissão de conteúdos ou à preparação técnica para o mercado de trabalho. Esses são aspectos importantes, porém, não são os únicos. A educação deve contribuir para a emancipação da pessoa humana, conduzindo-a a sair do não saber, rumo à tomada de consciência de si mesma e da realidade de mundo na qual está inserida, tornando-a agente de transformação onde estiver inserida. Tenhamos em vista a pedagogia de Jesus, cuja base é o amor. Ele nos ensina a arte da escuta, da proximidade, do acolhimento, do cuidado com o outro e com a obra criada.

Para tanto, a educação deve primar por uma formação humana integral e personalizada, que considere a pessoa humana em todas as suas dimensões: biológica, psicológica, social e, também, espiritual. Por isso, não basta simplesmente falar, transmitir determinado conteúdo, dar lições. Antes, deve-se falar com sabedoria, partindo da vida, das lições cotidianas em seus acertos, equívocos e crises; deve-se ensinar com amor. Amor que nos faz próximos, solidários e ternos. Não obstante, não se pode perder de vista que “a educação, precisamente porque tem por objetivo tornar a pessoa mais humana, só pode realizar-se autenticamente em um contexto relacional comunitário” (Texto Base da Campanha da Fraternidade 2022, n.167).

O Papa Francisco, em sua mensagem por ocasião do lançamento da campanha da Fraternidade deste ano nos alerta que: “ao olhar para a sociedade hodierna, percebe-se de maneira muito clara a urgência em adotar ações transformadoras no âmbito educativo, a fim de que tenhamos uma educação promotora da fraternidade universal e do humanismo integral, como recordado no convite para um Pacto Educativo Global: ‘Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna’”. Portanto, a educação é um serviço indispensável à vida, e nos ajuda a crescer na vivência do amor, do cuidado e da fraternidade.

Equipe Arquidiocese em Missão
Arquidiocese de Montes Claros

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