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A relação família e escola

Visita de dom João Justino à Escola Municipal Profª Maria de Lourdes Pinheiro em Montes Claros durante a visita missionária do clero em 2019.

O tema da “educação domiciliar” aponta para o grande desafio existente na busca de harmonia e mútua colaboração entre família e escola. Recentemente, o Santo Padre lançou o Pacto Educativo Global, afirmando que “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”, ou seja, o processo educativo precisa ser assumido por todos. Família, escola e instituições da sociedade necessitam tecer esforços em prol de um processo educativo integral. Esse processo educativo humanista, baseado no esforço compartilhado e múltiplo, é o que a Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da CNBB mantém no seu horizonte, consolidando os valores que pautam as metas dos trabalhos desenvolvidos.

De forma consistente, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, o Magistério da Igreja tem afirmado a grande responsabilidade das famílias na educação dos seus membros. No entanto, esta primazia da família deve ser compreendida não como uma exclusividade, mas como uma atribuição que é complementada por uma mútua colaboração com as instituições de educação formal.  Se a escola deve ser compreendida e gerida como parceira da família e não sua substituta, o contrário também é verdadeiro, ou seja, a família não pode substituir a escola. Há, entre essas duas instituições basilares da sociedade, uma mútua colaboração.

Ao discursar às escolas italianas afirmando: “eu amo a escola, a amei como estudante, professor e bispo”, Papa Francisco reconhece o papel da escola em sua vida pessoal, mas também aponta a importância dessa instituição nas dinâmicas da formação da pessoa humana. A escola, como toda realidade humana, tem suas contradições, imperfeições e desafios. Portanto, concentrar apenas em seus aspectos negativos é ofuscar seu nobre papel formativo construído ao longo de séculos do processo civilizatório.

Como cristãos católicos, nosso empenho é aquele delineado nas palavras de São Paulo aos Romanos: “não vos conformeis com este mundo” (Rm 12,2).  Assim, apoiar as famílias em sua missão fundamental de educar seus filhos é também ser presença no complexo mundo da educação, oferecendo os melhores dons. Por meio dos conselhos e outros mecanismos de participação, a família não só pode, mas precisa estar intimamente ligada à vida escolar de seus filhos.

A Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da CNBB, em sintonia com a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil – ANEC – deseja que as famílias assumam o seu primordial papel educativo, contribuindo com as comunidades escolares para que elas eduquem para a vida plena. A Palavra do Senhor, vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo (Cf Mt 5,13-14), motiva e inspira os cristãos a se inserirem no ambiente escolar com uma presença inspiradora, para iluminar e transformar situações que estão contra os valores do Evangelho. Como discípulos-missionários de Jesus Cristo, seguimos fazendo a vontade de Deus, de modo especial quando ela exigir conversão, mudança de mentalidade e renúncia. Muitas vezes a vontade de Deus confronta com a nossa própria vontade, encorajando-nos à contrição pessoal para mudarmos nossa mentalidade e nos abrirmos à sua Palavra, que é sempre viva e eficaz.

+ João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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