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Seu nome é João

No nordeste do Brasil e no Norte de Minas Gerais, os festejos em honra a São João Batista se destacam de todas as outras festas. Para os que são dessas regiões, qualquer descrição dos preparativos e das celebrações não se compara à experiência única das canções, das procissões, dos mastros, das danças, das fogueiras, dos quitutes, das visitas, dos fogos e da alegria contagiante de quase parar o tempo para comemorar São João.

São João Batista, o precursor do Messias, tem um lugar de destaque na história da fé cristã. Isso se reflete na liturgia que lhe reservou duas comemorações: a solenidade de sua natividade, no dia 24 de junho, celebrada com missa própria de vigília, no dia 23, e a memória obrigatória de seu martírio, celebrada no dia 29 de agosto. Inúmeras igrejas e catedrais são dedicadas a São João. Na Arquidiocese de Montes Claros, das 66 paróquias e quase-paróquias, cinco são dedicadas a São João Batista: Em Montes Claros, no Bairro Alto de São João, em Terra Branca, distrito de Bocaiúva, em São João da Lagoa, em São João do Pacuí e em Guaraciama. No município de São João da Ponte o padroeiro principal é Santo Antônio, mas a festa mais popular é no dia de São João Batista.

São Lucas relatou, com um certo paralelismo, o nascimento de João e de Jesus. Há um anúncio do nascimento de João feito ao seu pai Zacarias, como há o anúncio do Anjo Gabriel à jovem Maria, mãe de Jesus. O poder de Deus se manifestou na vida daquela que era considerada estéril, como na vida de Maria que permanecendo virgem se tornou mãe. As duas mulheres grávidas – Maria e Isabel – protagonizam um dos mais belos encontros das páginas bíblicas. Acolhendo Maria em sua casa, Isabel sente a criança estremecer no seu ventre e fica repleta do Espírito Santo. E escuta o mais belo poema de louvor a Deus cantado pela jovem de Nazaré, o Magnificat.

Passados os meses, nasce o menino de Isabel e Zacarias. O casal está determinado na escolha do nome. Isabel afirma: “Ele vai se chamar João”. Zacarias confirma: “Seu nome é João”. O nome escolhido expressa o que estava sendo vivenciado pelo casal de idade avançada. João pode significar “Deus é graça”, “Deus é misericórdia”. A vida austera, o profetismo agudo, a consciência de seu lugar na relação com o Messias, tudo concorria para realizar as palavras orantes de Zacarias: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo; pois irás à frente do Senhor, para preparar-lhe os caminhos…” (Lc 1,76).

Em Montes Claros, no dia 24 de junho de 1930, nasceu outro menino cujos pais deram-lhe o nome de João José Baptista de Castro. Jovem, entrou para a vida religiosa. Tornou-se membro da Ordem Premonstratense e recebeu o nome religioso de Geraldo Magela. Foi escolhido por São João Paulo II para ser o sexto bispo de Montes Claros e, mais tarde, o primeiro arcebispo. É sabido que Dom Geraldo gostava muito de festejar seu aniversário natalício. Seu coração rejubilava de gratidão pelo dom da vida, da vocação religiosa, do ministério sacerdotal e episcopal. Seus últimos anos de vida foram marcados por grande sofrimento, prolongados meses de leito hospitalar. Tudo vivido na fé de quem, já na pia batismal, recebeu um nome para proclamar a graça e a misericórdia de Deus. Geraldo Magela de Castro, “seu nome era João”.

+ João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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