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Vamos às urnas

Os eleitores brasileiros estão convocados para comparecer às urnas no próximo dia 15 de novembro. É uma data significativa, enquanto nos recorda a Proclamação da República, ocorrida em 15 de novembro de 1889. A pandemia do novo coronavírus provocou o adiamento das eleições e dificultou uma campanha eleitoral nos moldes conhecidos. Há indicações de prioridade para idosos nas primeiras horas do dia do pleito, da obrigatoriedade do uso de máscara e de levar consigo uma caneta para sua assinatura no ato de votar. Evitar aglomeração é um procedimento a ser rigorosamente observado quando o país ainda tem números muito altos de novas contaminações e de óbitos.

Vamos às urnas. Com todos os cuidados e protocolos, é preciso exercitar esse direito-dever de participar da escolha dos que governarão nossas cidades e daqueles que haverão de compor cada câmara municipal. E preparemo-nos. Não ocorra que deixemos para a última hora a definição dos nomes que consideramos aptos para o executivo e o legislativo municipais.

Temos ainda alguns dias para ponderar nossas escolhas. Isso supõe o discernimento que sempre se faz à luz de critérios. Ouso apresentar alguns, na esperança de encontrarmos candidatos mais preparados para os cargos e dispostos a cuidar da “coisa pública” (res publica), lembrados de que “a política não é mera busca de eficácia, estratégia e ação organizada. A política é vocação para o serviço” (Papa Francisco, Discurso a um grupo de jovens líderes da América Latina, 4 de março de 2019).

A história de vida do candidato é um importante critério. Se ele já exerceu mandatos eletivos, é preciso avaliar os resultados desses mandatos anteriores. Quem teve oportunidades de trabalhar em favor da cidade e não se ocupou em significativas ações, demonstra inaptidão para a função. Fiquemos alertas com quem se utiliza da máquina pública para ganhar votos. E muita atenção aos conchavos, pois eles, depois, quase sempre são cobrados de uma forma ou de outra. Para todos valha o princípio da ficha limpa. Não merece votos quem já agiu com desonestidade e manifestou-se corrupto.

Religião e política não são como água e óleo, mas é prudente distinguir se há uso interesseiro da religião ou do nome de Deus. Se o candidato é oriundo de uma expressão religiosa, é oportuno conhecer qual o itinerário dele em sua comunidade de fé. Lembrem-se de que o compromisso com a ética, a paz, a justiça, a fraternidade e a verdade são comuns às religiões. Por vezes esses valores são pervertidos por quem se diz religioso, mas não adequa sua vida ao credo que professa. É útil se perguntar: qual a disposição do candidato de governar para todos e não apenas para um grupo ou outro? Observe-se o estilo da campanha do candidato. Cuidado com os candidatos que gastam muito com a sua campanha. Quem investe quer receber de volta.

Recorde-se de que para alcançarmos as mudanças sempre almejadas é necessário verdadeiramente ousar. Quais são as propostas inovadoras do candidato? Ele está disposto, por exemplo, a trabalhar pela diminuição do número de assessores no legislativo? A extinguir regalias que são uma ofensa aos mais pobres de cada cidade? Suas propostas caminham no sentido da construção de cidades mais inclusivas, justas e sustentáveis? Vamos às urnas. Mas não sem antes percebermos que pesa sobre cada eleitor o futuro de nossas cidades.

+ João Justino de Medeiros Silva

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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