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Arcebispo de Montes Claros publica orientações sobre as eleições municipais 2020

Dom João Justino Medeiros Silva, Arcebispo de Montes Claros, emitiu nesta quarta-feira, 26 de agosto, as “Orientações sobre as eleições municipais 2020”. No documento, o Arcebispo incentiva e destaca a importância da participação dos cristãos e cristãs leigos no processo eleitoral, e oferece orientações para que essa “participação seja democrática e comprometida com o bem de todos, a defesa do direito e da dignidade das pessoas, sobretudo os empobrecidos, vulneráveis e excluídos”.

As orientações publicadas foram apresentadas por dom João Justino, no último domingo, quando finalizava o Seminário Arquidiocesano de Fé e Política. (Clique aqui e saiba mais). No documento, ao falar das exigências da evangelização para uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, o Arcebispo ressalta, “esse exercício ético e evangélico nos compromete diretamente na escolha daqueles que nos representarão no governo dos municípios.

Conheça a íntegra do documento abaixo e aqui. Orientações sobre as eleições municipais 2020

 

Arquidiocese de Montes Claros
Orientações sobre as eleições municipais 2020

 

“A vertente ético-social
é uma dimensão imprescindível do testemunho cristão”.
São João Paulo II

 

Prezados irmãos e irmãs,
O Evangelho de Jesus Cristo nos impele a assumir compromissos mais efetivos com a cidadania. Todos os católicos e católicas são convocados a se empenhar de maneira participativa, consciente e crítica no processo eleitoral deste ano. Almejamos a transformação das estruturas injustas da sociedade e essa transformação ganhará impulso se os cristãos leigos e leigas se empenharem de maneira cívica, responsável e coerente com os valores do Evangelho, em cada fase do processo eleitoral e no posterior acompanhamento do mandato dos eleitos.

O cenário sociopolítico e econômico brasileiro, lamentavelmente, tem sido marcado pela falta de ética e moral, em diversas circunstâncias, envolvendo diferentes pessoas, instituições e autoridades públicas. É algo grave que depõe contra as instituições democráticas do nosso País. Isto prova que a sociedade não pode renunciar ao compromisso com a ética, compreendendo a atividade política como serviço.

Por isso, a Arquidiocese de Montes Claros incentiva a participação dos cristãos e cristãs leigos no processo eleitoral, bem como oferece orientações para que essa participação seja democrática e comprometida com o bem de todos, a defesa do direito e da dignidade das pessoas, sobretudo os empobrecidos, vulneráveis e excluídos. Por conseguinte, recomenda:

1) Que o exercício do poder seja um serviço ao povo. Verifique se os candidatos estão comprometidos com as grandes questões do povo, tais como a superação da pobreza, a promoção de uma economia solidária, voltada para a criação de postos de trabalho e justa distribuição de renda, a educação de qualidade para todos, a saúde, a moradia, saneamento básico, respeito à vida e defesa do meio ambiente.

2) Governar é promover o bem comum. Analise se os candidatos e seus partidos estão comprometidos com a justiça e a solidariedade social, a defesa da dignidade da pessoa, os direitos humanos, a cultura da paz e a superação da violência, a segurança pública, a justiça no campo e com o cuidado com a Casa Comum na perspectiva da ecologia
integral. Lembrem-se de que não existem candidatos da Igreja Católica, mas católicos candidatos.

3) Voto não é mercadoria. Fique atento à prática da corrupção eleitoral, do abuso do poder econômico e da compra de votos. Candidatos com um histórico de corrupção ou má gestão dos recursos públicos não devem receber nosso apoio nas eleições.

4) Leigos e leigas de nossas comunidades e paróquias que se candidatarem para as eleições poderão permanecer em suas funções ministeriais e pastorais. No entanto, não devem fazer de seu serviço na Igreja espaço de propaganda eleitoral. Por isso, não devem, no exercício de suas funções litúrgicas, portar nem vestes nem quaisquer outros objetos de propaganda eleitoral. Também não devem ser impedidos de continuar sua participação e serviços nas comunidades, o que seria contraditório ao incentivo da Igreja a que entrem no mundo da política.

5) Leigos e leigas, candidatos oriundos de nossas comunidades e paróquias, de comum acordo com respectivos párocos ou administradores paroquiais, tenham a oportunidade de dialogar com grupos de interessados para se apresentar e para dar a conhecer seus compromissos e propósitos políticos. Isso cria a oportunidade para
partilhas, questionamentos e conscientização na liberdade do dever de participação cidadã de todos os cristãos e contribui para escolhas adequadas. Esses encontros ou rodas de conversa poderão acontecer nas dependências da paróquia, mas nunca dentro do templo e jamais durante qualquer celebração. Oportunize-se para nossos fiéis a
adequada compreensão da distinção entre as funções do executivo municipal e as do legislativo municipal.

6) Aos ministros extraordinários da distribuição da Sagrada Comunhão, ministros da Palavra, catequistas, agentes pastorais e outros é vedado pedir voto ou manifestar opções políticas quando estiverem exercendo suas atividades pastorais na Igreja. Não é permitida a atuação de “cabos eleitorais” durante celebrações, encontros, festas e
outras atividades da Igreja.

7) Em todos os casos, não serão admitidos pedidos de votos e manifestações, inclusive em grupos virtuais cujo objetivo é articular o trabalho institucional da Igreja;

8) Todos os fiéis deverão se abster do uso de símbolos e bandeiras de partidos políticos ou de propaganda eleitoral durante as celebrações religiosas, festas dos padroeiros e outras atividades institucionais;

9) Não será admitida a distribuição de panfletos e outros materiais de campanha no interior das igrejas e demais espaços institucionais, salvo se houver algum encontro específico de diálogo e conversa com candidatos.

10) Em respeito à missão dos ministros ordenados da Igreja e pelos balizamentos canônicos que não permitem envolvimento partidário por parte deles, está terminantemente proibido o uso de fotos, textos e imagens dos arcebispos, padres e diáconos permanentes e transitórios em material de propaganda eleitoral. Também, não é
permitida a propaganda eleitoral contendo publicidade partidária ou de candidatos nos eventos da Arquidiocese, em impressos das instituições da Arquidiocese, nas celebrações litúrgicas e nos locais de culto das paróquias católicas.

A evangelização exige de nós um empenho saudável e frutuoso na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária. Esse exercício ético e evangélico nos compromete diretamente na escolha daqueles que nos representarão no governo dos municípios. Essas eleições sejam momento oportuno de tomada decisiva de posturas e ações democráticas, honestas, justas que construam o bem comum em nosso chão norte mineiro, como expressão
dos sinais do Reino de justiça, paz e fraternidade, centro do ensino e da obra de Jesus Cristo.
Maria, Mãe da Igreja, e São Pio X, padroeiros de nossa Arquidiocese, intercedam ao Deus Uno e Trino em favor da paz e do desenvolvimento humano e social de nosso povo norte mineiro.

 

Montes Claros, 21 de agosto de 2020.
Memória de São Pio X
Padroeiro secundário da Arquidiocese de Montes Claros

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano

 

_______________________________________________

***Fabíola Lauton – Comunicação da Arquidiocese de Montes Claros – (38) 9 9957-3961 / (38) 9 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected]

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