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Em cada casa um presépio

                A festa do Natal de Jesus Cristo aproxima-se. Nas igrejas, a liturgia do advento retoma os antigos profetas e sua expectativa da chegada do Messias. Nessa época do ano, a troca de presentes é estimulada. O comércio se prepara com incontáveis produtos e enfeites natalinos. Muitos programam festas familiares, outros organizam celebrações. Nas comunidades, vizinhos se reúnem para os encontros de oração e de preparação para a Noite Santa. Uma das figuras de destaque é o Papai Noel, que faz brilhar os olhos dos pequeninos, ansiosos pela novidade de um presente.

                Entre tantos preparativos, há um muito especial, de longa tradição. Trata-se do presépio, qual encenação do nascimento do menino Jesus. Em muitos lugares as pessoas se dedicam a preparar com criatividade os presépios. Nas casas, nas escolas, nas igrejas, nas praças e ruas, nos hospitais e em diferentes locais são alocadas, no mínimo, as imagens de Maria, de José e do menino Jesus circundadas por outras imagens de bois, burros, ovelhas e dos pastores. Se as informações dos evangelhos são muito poucas, não faltou a imaginação da fé para propor a cena de Belém que assinala a dificuldade de José encontrar hospedagem e ter que improvisar um lugar onde estavam dormindo animais para ali Maria dar à luz ao seu filho Jesus. O evangelista Lucas nos conta que Maria deu à luz o menino, o envolveu em panos e o deitou numa manjedoura (cf. Lc 2,7). Como em latim a palavra manjedoura se diz “praesepium”, daí veio a palavra presépio para retratar o ambiente em que Jesus nasceu.

                Foi São Francisco de Assis que no Natal de 1223, em Greccio, quis reviver o nascimento de Jesus instalando uma manjedoura com palhas e trazendo um boi e um burro para o mesmo local. Naquela noite, os presentes reviveram a alegria dos pastores que encontraram o recém-nascido deitado na manjedoura. Talvez sem a pretensão de que se tornasse uma tradição tão viva e variegada, Francisco de Assis, sem saber, criou um recurso de grande expressão evangelizadora e catequética e uma das mais belas tradições natalinas.

                Eis que o Papa Francisco quis começar o advento deste ano visitando, pessoalmente, a localidade de Greccio e ali assinar a carta Apostólica Admirabile Signum (Sinal admirável) sobre o significado e valor do presépio. Com esse gesto, Papa Francisco quis apoiar e reestimular a tradição das famílias prepararem o presépio. Lembra-nos o Papa de que “o presépio faz parte do suave e exigente processo de transmissão da fé”. Queremos nos associar ao Papa Francisco e propor que em cada casa se prepare um presépio, especialmente com a participação das crianças. Não faltarão nem criatividade nem recursos para reconstruir com imaginação a cena do nascimento de Jesus. “Não é importante a forma como se arma o presépio; pode ser sempre igual ou modificá-la a cada ano. O que conta, é que fale à nossa vida”, escreve o Papa.

                Sim, que fale à nossa vida. O Natal como festa do encontro de Deus com a humanidade revela-nos o humano abraçado pelo divino. O Filho de Deus reveste-se de nossa fragilidade. O presépio nos deixa algumas lições. Entre elas a certeza de que Deus escolheu vir a nós na pobreza de nossa humanidade. Nada elevou mais o ser humano que a encarnação do Verbo. Aquele menino que repousa na manjedoura em Belém é verdadeiramente homem e Deus. Mistério de fé.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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