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Entrevista: Irmã Maria Irene, missionária na Igreja na Amazônia

A Arquidiocese de Montes Claros continua a sua caminha dentro da IV Assembleia Arquidiocesana de Pastoral (IV AAP). Em sintonia com o Mês Missionário, realizará uma videoconferência nesta terça-feira (27), sobre “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. O bate-papo será pelo Facebook e pelo YouTube da @arquimoc, com Ir. Maria Irene Lopes dos Santos, que a há 11 anos realiza um belo e desafiador trabalho missionário na Igreja na Amazônia.

Irmã Maria Irene Lopes dos Santos, religiosa mineira de coração amazônico.

Irmã Maria Irene (Foto: CNBB)

Natural de Paracatu – MG, Ir. Irene é religiosa da congregação das Irmãs Carmelitas Missionárias de Santa Teresinha do Menino Jesus e possui 36 anos de vida consagrada. É graduada em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/PUC-MG e Possui, também, pós graduação em psicopedagogia e psicanálise e educação.

Em sua trajetória de atuação missionária exerceu as funções de diretora de Obra Social. Contribuiu na Animação Vocacional das Carmelitas Missionárias. Dirigiu o Colégio Dom Elizeu, na cidade de Paracatu, em Minas Gerais, por 10 anos.

Ir. Maria Irene em encontro com o Papa Francisco (Foto: CNBB)

No ano de 2009, Ir. Maria Irene assumiu a assessoria da Comissão Episcopal para a Amazônia. Já são 11 anos de um belo trabalho missionário e forte engajamento com a Igreja na Amazônia. Com a criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM, em 2014, ela foi convidada a somar também no serviço da secretária executiva no Brasil da REPAM. Vida doada e entrega sem medidas são características da religiosa mineira de coração amazônico.
Com a convocação do Sínodo para a Amazônia, Ir. Maria Irene Lopes foi nomeada para fazer parte do Conselho Pré-Sinodal, na preparação do Sínodo. Desde então, com muito empenho e dedicação, a religiosa vem conduzindo os processos do sínodo nas mais diversas realidades da Amazônia brasileira.
Em outubro de 2019, foi convidada pelo Papa Francisco a participar do Sínodo como auditora.

Confira a entrevista na íntegra:

Missão, palavra tão usada no ambiente eclesial. Como a senhora nos apresenta o que é missão?

Pontuo o decreto conciliar Ad Gentes, sobre a atividade missionária da Igreja, esse documento é categórico quando ele afirma que “A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo”  e faz essa relação mostrando a missionariedade da Igreja e da sua catolicidade. Em outras palavras, quer dizer que, se a Igreja deixa de ser Católica, ela deixa também de ser Missionária. Então, ela é enviada por Deus, por todos os povos, para ser sacramento universal de salvação, por exigência íntima de sua catolicidade e obedecendo ao mandato do seu fundador. Isso vemos em Marcos 16,16.

A Igreja esforça-se por anunciar o Evangelho a todos os povos. E nós temos experiências disso. Sabemos que inúmeros missionários e missionárias, ao longo de mais de dois milênios, se despediram de sua família, desinstalaram-se, saíram de sua pátria, percorreram terras, atravessaram mares para alcançar essa grande meta, que “toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai”, isso a gente vê também em Filipenses 2,11.

Nós sabemos que a própria CNBB, nas suas atuais diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, acolhe a missão como eixo fundamental que deve perpassar toda a ação eclesial e ser seu horizonte. A missão não pode ser concebida como algo restrito para algumas pessoas ou grupos especializados, mesmo que sejam muito capacitados, experientes e cultivem carismas específicos. O desejo é de que reconhecendo essa questão da missão, precisamos ter as saídas missionárias em direção às periferias geográficas e existenciais, para que possa acontecer também a conversão pessoal e eclesial que implica sair de si, deixando encontrar-se pelo dom inestimável do Espírito, conhecendo e valorizando a vida e a história, e reconhecendo os sinais da ação do Espírito em todas essas situações. Eu acredito que  missão é muito mais além do que aquilo que temos em nossa cabeça. 

Quais as urgências para nos colocarmos em conversão missionária?

Para os discípulos não foi fácil, nem para nós também é fácil essa dimensão missionária, essa pluralidade que existe, essa diferença entre as pessoas e as comunidades. Muitas vezes pode suscitar muitas diversidades e tudo pode girar por algo bom e se transformar também num dinamismo evangelizador, por sua própria capacidade de estar trabalhando em conjunto.

Muitas vezes o missionário precisa ter disponibilidade para encarnar-se na vida do povo, de uma Igreja e de uma cultura. Ele precisa partir, não somente com a intenção de colaborar, mas também de viver a comunhão e de aprender. Uma das questões da missão é que nós não podemos querer ir à missão com um projeto próprio, mas assumir as opções pastorais da Igreja que está nos acolhendo, que está nos recebendo. Esse é o espírito de quem se colocar a serviço. E muitas vezes nós sabemos que não temos essa abertura como missionários. Já queremos levar nossos projetos prontos.

Para ser missionário também temos que manter um estilo de vida sóbrio, realizar uma convivência junto os empobrecidos, a quem fomos enviados. Sabemos que muitas são as urgências, que muitos lugares têm necessidade de pessoas que possam colaborar, e o missionário tem que ter sempre em mente, que não está ali em seu próprio nome, que foi enviado por uma Igreja, foi enviado de modo particular, para contar também com as orações de quem o enviou. Para isso, o missionário precisa cultivar a espiritualidade a partir da vida e da missão de Jesus Cristo e também fazer descobrir os sinais de Deus nas atividades e acontecimentos do dia a dia. Mesmo no meio das dificuldades, dos sofrimentos, ter esses momentos de contemplação. Deve estar junto a vida do povo, acolhendo os sinais através da oração. É na oração que o missionário encontra as forças e energias para continuar fazendo parte dessa Igreja que é discípula e também missionária. Para conseguir essa perseverança e para fortalecer também nossa vida missionária, precisamos dessa conversão pessoal.

A senhora é secretaria do REPAM. O que nos diz sobre esse organismo?

A REPAM, Rede Eclesial Pan-Amazônica, nasceu em setembro de 2014, a partir da necessidade de uma melhor organização da Igreja na Amazônia. Nos propomos a escutar, acompanhar, apoiar, animar, formar, servir, estimular, unir forças para responder aos grandes desafios socioambientais de toda nossa Pan-Amazônica, e não só a Amazônia do Brasil. Somos um organismo que apoia o protagonismo dos povos amazônicos, na defesa e no cuidado da casa comum por meio do serviço, de articulações e ações no próprio território.

Somos uma rede a serviço da Igreja na Amazônia, que apesar de tantas dificuldades, tantos desafios, não perdemos a esperança e continuamos acreditando nas maravilhas dos povos amazônicos. Confiamos em Jesus Cristo que sempre faz nova todas as coisas.

A REPAM começa desde o rio amazônico, formado pela convergência de nove países, que fazem parte da Pan-Amazônica. Sabemos que é uma região muito rica, com mais de 7,8 milhões de km², onde vivem mais de 33 milhões de habitantes. Desses 33milhoes, 1 milhão e 500 habitantes são indígenas, com mais de 380 povos que são originários da Amazônia. Então, somos realmente convidados para fazermos parte desse processo de estar tentando construir e oferecer uma grande rede em defesa desses povos do bioma Amazônico e a resistir a lógica do lucro, que destrói a nossa casa comum, o planeta terra.

A REPAM tem procurado, junto com os países, Colômbia, Venezuela, Peru, Equador, Bolívia, as Guianas Francesa e Inglesa, o Suriname e o Brasil, fazer com que esse processo possa estar cada vez mais se fortalecendo na construção de uma identidade de uma luta. Então, nós temos procurado durante todo esse tempo, fazer com que a Igreja na Amazônia, consiga também ir trabalhando nesse processo de rede.

Quais os desafios para a missão na Amazônia?

Nós sabemos que a Amazônia, principalmente a Amazônia Brasileira, é uma região com características geográficas, históricas, sociais, políticas, religiosas e culturais peculiares, diferentes de todas as outras regiões do nosso grande Brasil. Ela é rica em biodiversidade, de populações tradicionais, de povos nativos, de seringueiros, mas nem sempre é respeitada por sua cultura, língua e religião. Na Amazônia foram plantados grandes projetos para a exploração de minérios, hidrelétricas e do agronegócio. No entanto, sabemos que não privilegiam as necessidades da população regional, nem a identidade do bioma. Sendo assim, o missionário não nativo, brasileiro ou não brasileiro, ou de outras regiões geográficas estrangeiras, necessita de uma oportunidade para conhecer esta realidade antes de iniciar um trabalho, e acho que esses é um dos nossos grandes desafios. Além de tentar fazer com que as pessoas que são de fora da Amazônia possam conhecer toda essa riqueza do nosso bioma antes de adentrar a essa realidade Amazônica ou Pan-Amazônica. São realidades muito ricas e muito importantes, e que ao mesmo tempo precisam de um respeito muito grande por parte das pessoas que vão de outras culturas e não conhecem a cultura dos amazônidas.

“Tira as sandálias dos pés, pois o lugar que estás é santo” (Atos 7, 33) nos apresenta o um grande desafio para a Igreja do Brasil e do mundo, para o missionário que vai para a Amazônia: o respeito com as culturas.

Mensagem para os missionários da Arquidiocese de Montes Claros

Quero parabenizar a Arquidiocese de Montes Claros por essa iniciativa. A campanha missionária desse ano tem como tema “A vida é missão” e como lema “Eis-me aqui, envia-me!”. Mesmo vivendo um tempo diferente, em que o mundo passa por uma pandemia que mudou as nossas relações, queremos ser sinal de esperança para tantas vidas doadas de forma solidária, e que continuam fazendo crescer essa consciência missionária em cada realidade. Meu desejo é que, mesmo com um ano tão diferente, a gente também possa marcar a nossa vida com essa dimensão de missionários e missionárias a serviço da vida. Na REPAM temos uma música que fala que “tudo está interligado”. Então vamos fazer com que a Amazônia também esteja interligada com as realidades da Arquidiocese e que vocês possam ter muito ânimo, e quem sabe muitas pessoas também se coloquem a disposição para conhecer essa realidade da Amazônia e ser um missionário nessa grande região do Brasil.

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***Fabíola Lauton – Comunicação da Arquidiocese de Montes Claros

(38) 9 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected]

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Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

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