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“Escutar com o ouvido do coração”

Foto: SIR/Marco Calvarese

O papa Francisco, em sua Encíclica Fratelli Tutti, chama-nos a atenção para a complexa realidade em que estamos inseridos. A cada vez mais nos afastamos de nossa natureza humana. Diante de nossos olhos se apresenta um mundo chagado por diversas incongruências. Muitas vozes vociferam odiosamente seus achismos como verdade inalienável. Ademais, os meios de comunicação social encurtaram distâncias, todavia há uma tendência de esfriamento de nossas relações. “Fazem falta gestos físicos, expressões do rosto, silêncios, linguagem corpórea, o tremor das mãos, o rubor, a transpiração […]” (Fratelli Tutti n.43). Esquecemo-nos do calor dos afetos, do valor da proximidade e da vida comunicada em cada abraço. Adormecemos nossa capacidade de escutar, e permanecemos na superficialidade de relações baseadas em ansiosas mensagens instantâneas.

Imersos nesse contexto, direcionamo-nos a um futuro cada vez mais ensimesmado, que encurta horizontes, adormece a esperança, deixa turva nossa fé e rasga, ainda mais, as chagas abertas de nossa sociedade. “Criou-se um novo estilo de vida, no qual cada um constrói o que deseja ter à sua frente, excluindo tudo aquilo que não se pode controlar ou conhecer superficialmente e instantaneamente” (Fratelli Tutti n.49). Caminhamos no chão da história, esquecidos de nossa natureza humana, que nos interpela a sensibilidade para com o outro e afirma que somos todos irmãos e irmãs.

Urge recordar que, como Igreja que ainda peregrina neste mundo, somos sacramento de um Deus afetuoso, que escuta com amor os clamores de seu povo. Devemos testemunhar essa verdade em todos ambientes, inclusive nos meios virtuais e usando os instrumentos das comunicações sociais. Levar a todos o calor da proximidade, superando a frieza que o mundo contemporâneo encontra-se imerso. Para que isso se efetive, é necessário a conversão de todo um modus vivendi, que promova uma mudança de paradigma em nossa sociedade pós-moderna.

Em comemoração ao Dia Mundial das Comunicações Sociais (DMCS), a Pastoral da Comunicação irá peregrinar ao Santuário do Senhor do Bonfim de Bocaiúva. É preciso recordar que as nossas peregrinações e romarias devem servir de sinal do nosso desejo de conversão, de abertura para o diálogo e de escuta às dores de nossos irmãos. Somos Igreja que caminha, transformando os rumos da história. A mensagem do papa Francisco para o DMCS deste ano provoca-nos à sensibilidade para escutar com o ouvido do coração. Nessa mensagem, ele nos diz que “a escuta é uma dimensão do amor”. Vale dizer que o amor não reserva nada para si, pois em sua essência é saída de si para ir ao encontro do outro. A escuta nos desinstala de nossas certezas, quebra nosso orgulho e abre-nos à novidade. Olhando para a imagem do Senhor do Bonfim, que com seus braços abertos acolhe a todos, aprendamos dele o amor que é o princípio da verdadeira comunicação que gera comunhão. Como Igreja Particular de Montes Claros, nos empenhemos em uma comunicação efetiva e não nos fechemos em um monólogo frio e estéril. Que nosso testemunho de comunicadores impulsione a conversão de nossas estruturas, voltando nossos corações para a escuta atenta de nossos irmãos.

Equipe Arquidiocese em Missão
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