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Famílias vivem em condições sub-humanas

Famílias vivem em condições sub-humanas no distrito nomeado de Cidade Industrial

Em um terreiro empoeirado entre lonas pretas, crianças correm, brincam e festejam com qualquer pedaço de madeira que encontram pela frente. Para elas tudo é diversão. Mas na vida real, em frente aos barracos homens e mulheres, com ferramentas nas mãos cavam buracos para levantarem seus barracos de lona. Debaixo do sol quente eles conversam e dão testemunhos do que enfrentaram em suas vidas de muitas dificuldades e sofrimento, entre um gole de café ou o resto da água potável.

Em frente a um barraco improvisado, feito com pedaços de madeiras e lona preta, a idosa Maria dos Reis Souza Miranda, 72 anos, sorridente, se exibe e fala que agora tem onde morar. Segundo ela, antes morava em um barraco com três filhos, próximo à linha férrea na mesma região.

São pessoas simples, sem muito estudo e que não tiveram muitas oportunidades na vida, são vítimas de um sistema que cada vez mais as oprime, mas são atores desta história, estão protagonizando um momento de luta. “São pessoas corajosas, lutadoras, não são invasores, são ocupadores de um pedaço de terra, pois quando morar é um privilégio, ocupar é um direito”, desabafa um dos integrantes do movimento.

Em visita feita pela reportagem, as famílias pedem apoio, tanto na questão política, quanto na estrutural. “Nós, além de precisarmos de gente para ficar do nosso lado, precisamos de alimentos, pois muitos de nós aqui não temos um meio de sobrevivência”, reclama Sílvio Souza Miranda, 46 anos, casado e pai de quatro filhos, que naquele momento ajudava a construir um barraco para um amigo de 29 anos, casado e pai de três filhos pequenos. “Nós nos ajudamos, quem já está com o barraco pronto, ajuda a fazer o do vizinho”.

Na ocupação, estão morando cerca de 320 famílias, vindas de diferentes lugares, muitas viviam com familiares, outras em áreas de risco e pagando aluguel. “Eu morava numa casa aqui no Bairro Cidade Industrial, possuía despesa com aluguel e no momento estou desempregada, pois, tenho dois filhos e vivo para sustentá-los. Acho que a gente não tá fazendo nada de errado, estamos lutando por um cantinho para morarmos, todos têm direito, por que a gente não tem?”, indaga Eliene Mendes dos Santos, de 40 anos, uma das mulheres que está abrigada com os filhos num dos barracos da ocupação do terreno.

Próximo ao seu pequeno barraco de lona, madeira e papelão, o trabalhador rural Valsão Soares, 49 anos, casado e pai de quatro filhos, mostra o exíguo espaço onde improvisou uma cama. Ele não se preocupa com a falta de banheiro ou em ter que dividir a cozinha com a vizinha do barraco ao lado. Para ele, o importante é que o sacrifício gere um pedaço de terra no final do processo de desapropriação. Soares antes morava na roça, preocupado com os estudos das filhas resolveu migrar para o perímetro urbano, sem lugar para morar e sem ter condições para pagar aluguel, resolveu se unir aos ‘invasores’. O sonho de ter um pedaço de terra para viver e criar suas filhas com dignidade é maior. E mesmo diante de tanta dificuldade, ele revela, com orgulho, que sua mulher está grávida de seu quinto filho.
As mais de 320 famílias que ocupam o terreno passam por várias dificuldades, como alimentação e a falta de água potável. “A água que ainda resta do rio do Cedro não é própria para o consumo humano, usamos para lavar roupas e até mesmo para cozinhar e tomar banho. Para beber nós precisamos pedir aos vizinhos”, diz Valsão.

Informações com Sônia Gomes – Pastorais Sociais pelo telefone: 38 – 9985-2830  direto no endereço, rua Januária, 387 centro.

Texto e foto: Rogeriano Cardoso

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***Viviane Carvalho – Assessoria de Imprensa Arquidiocese de Montes Claros (38 Vivo) 9905-1346 (38 claro) 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected]

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