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Luta e Fé

Foi realizada na manhã de ontem (22) de março, no Acampamento “Geraiseiro Vale das Cancelas”, Região de Grão Mogol, que recebeu o nome de Alvimar Ribeiro dos Santos, um dos incentivadores da luta de conquista da terra Santa Missa em Ação de Graças Presidida por Dom José Alberto Moura, concelebrada por Dom Hugo, padres religiosos e diocesanos.

Antes da Celebração Eucarística, as pessoas se aglomeraram em frente à Igreja Católica de São Cristóvão, no Distrito de Vale das Cancelas, ali mesmo às margens da BR 251 aconteceu a acolhida por parte dos organizadores e de Dom José, arcebispo metropolitano,  falou sobre a importância daquele ato para aquele povo de luta, sedento por terra, pelo direito de produzir e alimentar sua gente devolvendo a dignidade a todos.

Em seguida, em caminhada, com suas bandeiras de lutas atravessaram a rodovia, e passaram por algumas ruas do distrito até a bifurcação que daria acesso ao acampamento onde seria celebrada a Santa Missa, distante dali, 9km.

Já no acampamento, muita emoção. Era a primeira vez que o arcebispo celebrava ali, e para a alegria daquele povo, dois bispos, 8 padres, religiosas e um diácono transitório, participaram de uma liturgia viva para homenagear Alvimar Ribeiro dos Santos, que faleceu em agosto do ano passado, mas que deixou sua semente por esse sertão norte mineiro. Esse é o segundo assentamento com seu nome, o primeiro, fica na região de Capitão Enéas e aglomera 500 famílias.

De acordo com a esposa de Alvimar, Lúcia Santos o momento foi especial e de gratidão pela admiração pela memória do seu esposo: “Ele não tinha horário para comer, ele vivia tudo isso aqui. Tem assentamento que o  povo chegava sem nada e hoje quando visitamos encontramos essas pessoas com suas casas, plantações, criações, retirando da terra o fruto semeado por ele quando tantos finais de semana se ausentava do lar para viver a luta do companheiro. Eu não tinha noção do tamanho da responsabilidade dele. Ele semeou sementes boas, cumpriu a missão dele” disse com os olhos brilhantes de quem estava orgulhosa da missão do marido.

Se ele estivesse aqui diria: “Muita força, não desanimem, não abaixem a cabeça, estejam sempre firmes, mas mantendo a paz, a força, a união e sobretudo a garra na conquista da vitória, finalizou Lúcia.

E no Dia Mundial da Água, instituído pela ONU em 22 de março de 1992, celebrando este ano 25 anos, durante o momento de Ação de Graças, reforçou Sônia Gomes, “Queremos fazer memória desse grande companheiro Alvimar Ribeiro dos Santos, incansável lutador em defesa do cerrado, caatinga e na luta por terra e água”. Um banner com uma foto do Alvimar, foi apresentado a todos, ela recordou também a memória de Haroldo Ferraz, Gorila, Pedro do acampamento do Garrote que também faleceu há poucos dias.  “ Esses homens deram testemunhos de não temer na luta. A partir dos exemplos deles, continuemos lutando pela terra para todos e pela água sem dono. Que as horas de Deus nos fortaleça em toda a jornada”, finalizou.

Depois de abençoar as mudas que foram plantadas e também distribuídas para quem pediu, Dom José encerrou a celebração Eucarística.

Depoimento de Felipe Amaral, Coordenador Arquidiocesano da Pastoral do Menor, publicado em seu perfil na página de uma Rede Social.

Hoje estive em missão com o Setor Social da Arquidiocese de Montes Claros, representando a Pastoral do Menor no “Acampamento Alvimar Ribeiro” nome este, que prestam homenagem a um grande homem de fé e que sempre lutou em vida pelo povo do cerrado, o povo da terra, o povo sofrido deste sertão norte mineiro, que a cada dia é desprezado e abandonado pelo poder público e vistos com maus olhos pela sociedade que vive a mercê do incentivo do que a mídia apresenta e não a realidade com que vivem estas pessoas.

Nosso dia foi iniciado às 05h30min e já estávamos na estrada, este acampamento fica na Comunidade Vale das Cancelas, distrito da cidade Grão Mogol, na Paróquia Santo Antônio, administrada pelo padre Helton de Oliveira Cardoso.

Inicialmente concentramos na porta da comunidade da igreja local, onde foi feito momento de falas de diversos (a) representantes presentes: sindicatos, organismos de pastoral, organizações dentre outros. Em caminhada pelas ruas da comunidade do Vale das Cancelas, cantávamos cantos de CEB´s e muita surpresa para aquele povo, pois celebraríamos a Santa Missa dentro do acampamento, sendo presidida pelo nosso Bispo Dom José juntamente com o Bispo Dom Hugo, padres de várias congregações religiosos (a), leigos (a) onde, juntamente com a comunidade local, levamos para aquele povo a Palavra de Deus viva.

Realmente Deus se faz ainda mais presente nas coisas mais simples , o que fortifica nossa fé! E foi o que senti neste movimento de paz, luta pelo povo, renovação da fé, esperança, zelo, olhar para o próximo, cuidar da nossa terra… Esses momentos são únicos e valem a pena participar, obrigado Sônia Oliveira e equipe pelo convite, quero estar presente em outros.

***Todas as fotos desse dia podem ser conferidos na Fanpage da Arquidiocese de Montes Claros, no Facebook.

***Viviane Carvalho – Assessoria de Imprensa Arquidiocese de Montes Claros  (38 Vivo) 9905-1346 (38 claro) 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected]

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  • Deus se faz ser humano e habita entre nós. Mais do que nunca, a humanidade de Jesus, O Cristo, terá que se fazer presente nestes tempos em que a luta de classes se acirra. Não suporto quando ouço o comentário: nossa região não tem nada. Quanta hipocrisia e ignorância! Nossa região tem gente. Nossa região tem eucalipto que suga a nossa escassa água. Nossa região teve a presença exploradora dos bandeirantes, causadores de nossas mazelas sociais de hoje. Nossa região tem muita riqueza. O Norte de Minas Gerais e Sul da Bahia são muito ricos. Falta-nos discernimento e fraternidade na distribuição da riqueza. Temos que parar de ser explorados e lutar para que todos sejamos produtores. A desigualdade está muito grande. O abismo social entre aquele mais rico e aquele mais pobre alcança o inimaginável. O atual estágio de desenvolvimento das forças produtivas da sociedade capitalista sustenta tranquilamente as condições mínimas de toda a humanidade. O que falta é a partilha da paz, do pão e da terra. Há 100 anos, a Revolução Russa conquistava os sovietes com o lema Paz, Pão e Terra em um contexto mundial de primeira guerra mundial. O sofrimento na Rússia feudal e monárquica em 1917 era tão intenso que bastou essas três palavrinhas para revolucionar as estruturas vigentes. E no Brasil: temos esta paz, esta terra, este pão compartilhado igualmente entre todos? Até quando as forças do capital continuarão impedindo a coletivização dos meios de produção? Sem as pessoas, as forças produtivas desmoronam. O que faz a roda da história girar é o elemento humano e é ele que precisa ser potencializado sempre e não as estruturas concretas e materiais que sofrem reformas cada dia mais constantes como se estivessem envelhecidas, mesmo estando em bom estado de conservação. Em um piscar de olhos, o novo se torna velho e aí vem mais uma reforma para torná-lo novo. Não precisamos de máscaras. Precisamos de realidade mágica. E é isto o que nos trazem a Pastoral da Terra e os movimentos sociais na América Latina: um realismo mágico histórico que transforme a vida de cada ser humano.

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Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

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