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Missão e diaconia: sobre transferência de padres

Em minha ordenação presbiteral, celebrada em dezembro de 1992, quando fui acolhido pelo presbitério no gesto expressivo do abraço que o neopresbítero recebe de cada padre, ouvi de um deles: “passe o diaconato, não a diaconia”. Nunca mais me esqueci desse apelo: viver como padre no espírito da diaconia, isto é, do serviço. Tenho me esforçado, também, para viver o episcopado dessa forma e fugir da tentação de servir-me a mim mesmo. Quando fui nomeado para a Arquidiocese de Montes Claros fui tomado por um temor inicial do desconhecido. Minutos depois, por um fato casual, escutei a canção “Tudo por causa de um grande amor”. Era a graça divina me recordando a razão de um dia eu ter me colocado à serviço de Jesus Cristo e de sua Igreja.

Numa diocese o bispo é o primeiro responsável pela ação evangelizadora e por prover as paróquias e os serviços eclesiais de ministros. Pela natureza do serviço episcopal, o bispo tem de ter a visão do todo de sua diocese ao tomar decisões pontuais, em especial quando se trata de confiar aos padres o pastoreio paroquial. Nessa tarefa, o bispo deve primar pelo discernimento. Escutar seus Conselhos. Em geral ele leva em consideração uma gama de elementos.

Lamento muito quando as razões de um padre pedir uma paróquia visam a interesses pessoais como, por exemplo, menos trabalho ou mais recursos. Compreendo que é legítimo pedir, às vezes, por necessidades de um tempo maior proximidade de sua família. Mas essa não deveria ser uma situação permanente. Diversos me dizem: irei para onde o senhor julgar que devo ir. E é sempre maior o número dos que aceitam com muita boa vontade a nova missão. Vez ou outra há resistências sem motivações consistentes, o que pode passar uma imagem equivocada do conjunto do clero. Contudo, as motivações devem ser sempre buscadas à luz da fé.

As comunidades maduras compreendem as transferências de padres ou a permanência por mais tempo de outro quando conjugam a fé, a caridade, o respeito e a confiança no bispo. Quando se trata de deixar um lugar e seguir para outro não se pode prescindir do dado da fé, que aquece o coração de quem se colocou nas fileiras do ministério ordenado. Para esses não pode haver dissociação entre missão e diaconia. Quando se começa a dizer que somente o padre fulano pode ficar em determinado lugar, algo de errado há. Talvez o padre tenha feito discípulos para si e não para Jesus Cristo? Teria falhado a evangelização e fizeram do padre o “Messias”? Que interesses pessoais estão se sobrepondo ao foco da missão?

Uma Igreja sinodal, da escuta, não há de ser uma Igreja do “ganha quem grita mais alto”. A sinodalidade não se resume à escuta. Ela se amplia na capacidade de ver novas perspectivas e de dar passos em favor da unidade eclesial. Por isso, o Papa Francisco fala ao mesmo tempo de Igreja em saída e de sinodalidade. Onde tudo está aparentemente acomodado, a letargia já faz seu trabalho sorrateiro. Nada melhor para combater a letargia das comunidades do que assumir o binômio missão e diaconia. Isso vale para todos nós, membros da Igreja. Bem dizia o Servo de Deus Dom Luciano Mendes de Almeida: “Onde há povo há razões de ser pastor”.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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