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MULHER VITORIOSA

Na vida todos queremos ser vitoriosos em tudo. Aliás, a atitude de olharmos para o bem de nosso ego, ou sermos egoístas, é muito natural. Temos mesmo que pensar em nós. No entanto, quando esse eu for de atitude diminuidora dos outros, torna-se egocentrista e não de boa convivência cidadã. Ao contrário, quando nosso ego for de promoção de nossa realização pessoal e autoestima para ajudar os outros, torna-se de verdadeira promoção do convívio frutífero para todos. Aliás, quanto mais doação de nós, mesmo com nosso sacrifício, para promover o bem do semelhante, mais efeito de benefício para nós mesmos vai acontecer. O próprio Jesus nos ensina que quem dá de si pelo semelhante alcança a vida realizadora. Ele mesmo fez isso de modo redundante e plenamente exemplar, ensinando que é muito louvável quem dá a própria vida até pelos inimigos!

No Apocalipse o apóstolo João apresenta a figura de uma mulher esplendorosa que está para dar a luz uma criança e um dragão esperança o neonato para devorá-lo. Mas a mulher saiu vitoriosa devido à ajuda divina (Cf. Apocalipse 11,19; 12,1-10). O escritor no estilo da revelação compara a referida senhora como a Igreja  insipiente do Oriente Médio, que estava sendo perseguida pelos opositores a Cristo, ou anti-Cristos. Mas a Igreja venceria pelo poder do próprio Filho. Na liturgia da Igreja essa mulher é comparada a Maria, cujo filho, que somos nós, tem as oposições do demônio, ou mundo paganizado, que não quer saber do Filho de Deus com suas propostas de conversão, amor, justiça e misericórdia. Mas não podemos desanimar e precisamos perseverar no caminho do Filho de Deus.

A mãe de Jesus e exemplo de mulher forte na fé e no amor, cheia da graça do Senhor. acompanhou seu filho até à sepultura. Aos olhos pagãos ela saiu vencida. Mas a ressurreição de seu filho mostrou que ela foi a grande vencedora. Quando o filho vence, a mãe se enche de júbilo. Mas ela não foi só vencedora passiva. Ao contrário, ela sempre fez sua parte em responder a Deus, realizando continuamente sua vontade e estando sempre ao lado de seu filho, com seu apoio materno. O próprio Jesus, quando procurado pelos parentes disse: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lucas 8,21). Ninguém mais dos que Maria colocou em prática a Palavra de Deus. Basta olhar seu exemplo de vida coerente com o que ela prometeu a Deus, respondendo a proposta do anjo que foi anunciar-lhe a vontade de Deus a seu respeito!

Pelo fato de ter sido escolhida para ser mãe do Filho de Deus, Maria reconheceu a bondade infinita do Senhor. Mas ela também foi vitoriosa por colocar sua parte, cooperando com a realização do projeto de Deus a seu respeito. Esteve sempre ao lado do Filho e ajudou-o a nos salvar. O mesmo somos chamados a fazer, cooperando com nosso exemplo e diálogo com os outros, e mesmo na evangelização, para sermos instrumentos do Senhor para a salvação de pessoas que podem encontrar um sentido para vida através de nossa amizade, do diálogo e da indicação da vida no seguimento a Cristo.

Enfim, Maria, que chamamos de Mãe de Deus, pelo fato de seu filho, que recebeu dela a natureza humana, ter também a natureza divina. Ela foi glorificada pelo Senhor com elevação ao céu em corpo e alma.

José Alberto Moura, CSS – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG

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