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Padre faz profunda reflexão

Encerrou no domingo (22) a 57ª de São Sebastião da Paróquia do padroeiro localizada na Vila Guilhermina em Montes Claros. Os fieis refletiram durante nos 10 dias de festa o TEMA GERAL: Cristãos leigos, embaixadores de Cristo na Igreja e na Sociedade e o LEMA: Sal da Terra e Luz do mundo.  Na missa na encerramento, Padre Brígido Antônio de Lima que se despede da Paróquia que administrou por três anos para dar início a caminhada em uma nova Comunidade Paroquial – São Judas Tadeu que se tornará Paróquia em breve.  “E com uma pregação consciente, consistente e realista, mas sem perder a ternura e o conforto de quem proclama a Verdade do Evangelho com muito amor e dedicação, Pe. Brígido proporcionou aos fiéis uma profunda reflexão sobre o papel do leigo(a) na difícil, mas gratificante, missão de ser um(a) cristão(ã) de verdade”.

Leia na íntegra sua homilia abaixo:

Cristãos Leigos Embaixadores de Cristo.
Nesses primeiros domingos do Tempo comum, a Liturgia nos apresenta o início da vida pública de Jesus, com o ANÚNCIO DO REINO e o CHAMADO dos primeiros discípulos. Como Leigos, todos são chamados a serem embaixadores de Cristo na Igreja e na sociedade. Mas o que faz o embaixador? Temos clareza da sua missão? Ele representa o País que o envia em assuntos variados, ele pode concluir e assinar tratados em nome do País que o envia. É um cargo de muita confiança. O embaixador deverá ser uma pessoa que possa viabilizar um bom relacionamento entre os países, tem que ser aceito também pelo País que o recebe.
Nós somos embaixadores de Cristo, nos diz Paulo, escrevendo a comunidade de Corinto 5,20.“Portanto, somos embaixadores de Cristo.” Como embaixador de Cristo você é chamado a ser luz, a ser Cristo na vida do outro.

Na 1ª Leitura, Isaías fala de uma LUZ, que irá brilhar na Galiléia e que irá iluminar toda a terra. Essa luz iluminará as trevas da opressão e inaugurará o dia novo da alegria e da paz sem fim dos compara à alegria no final das colheitas e caças abundantes. (Is 98, 23b-9,3).

* Jesus é a Luz que ilumina o mundo com uma aurora de esperança e dá sentido pleno à esta profecia messiânica de Isaías. A Igreja obra de Cristo é iluminada pelo Espírito Santo, vive dentro deste mundo globalizado, interpelada a um permanente discernimento. O desafio do cristão será sempre viver no mundo sem ser do mundo (Jo 17,15-16). Discernir e aprender a separar as coisas positivas das negativas que fazem parte do mesmo modo da vida atual. Viver na Igreja significa aprender permanentemente, a seguir o caminho e a verdade do Evangelho dentro das condições concretas do mundo. Para viver a sua missão no mundo de hoje, a Igreja como um todo e os cristãos leigos são desafiados à aprendizagem permanente de distinguir:

1-Se Luz na pluralidade que respeita as diferenças, diferente do relativismo que se pauta na indiferença aos valores e aos outros.
2-Ser Luz ante a secularidade que valoriza as conquistas humanas e a liberdade religiosa, diferente do secularismo que considera Deus como intruso ou desnecessário.
3-Enxergar a luz diante dos valores e as instituições tradicionais, diferente do tradicionalismo que se nega a dialogar com o mundo.
4-Ser luz buscando a vivência comunitária, que possibilita a justa relação do “eu” com o outro, diferente do comunitarismo sectário que isola o grupo do mundo.

Vivendo neste mundo, o cristão que não tem consciência de ser sujeito corre o risco da alienação, da acomodação e da indiferença. Precisamos vencer a indiferença com as obras de misericórdia para conquistar a paz. Caim se mostrou indiferente ao irmão. O bom samaritano, pelo contrário, deixou-se comover, aproximou-se e cuidou do próximo. Venceu a indiferença pela misericórdia. A globalização da indiferença, infelizmente, nos tornou e nos torna insensíveis.

A Igreja direcionada e pautada pelo Reino de Deus caminha para frente, dentro da história, com lucidez e esperança, com paciência e misericórdia, com coragem e humildade. A Igreja, com estas características, incluindo dentre elas as atitudes de escuta e diálogo, se insere no mundo como chama acesa, como quem aprende e ensina, sabe dizer sim ao que é positivo e não ao que prejudica a dignidade humana. Assim a Igreja se insere no mundo com a atitude do serviço iluminado pela postura amorosa e serviçal presente na Santa Ceia

Na 2ª Leitura, Paulo exorta os coríntios a superar as rivalidades e divisões.  O Apóstolo Paulo destaca o fundamento trinitário da vida em comunidade, feita de diversidades e de unidade. O Deus, Uno e Trino é fonte e modelo de toda vida comunitária. Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos (1 Coríntios 12,4-6).
Um desafio para os cristãos leigos é superar as divisões (Atos 2,42-45; 4,32-35) e avançar no seguimento de Cristo, aprendendo e praticando as bem-aventuranças do Reino, o estilo de vida do Mestre Jesus: sua obediência ao Pai, compaixão diante da dor humana, amor serviçal até o dom de sua vida na cruz: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8,34).

Em sua inserção no mundo, os cristãos leigos são convidados a viver a espiritualidade de comunhão e missão. A espiritualidade da comunhão e missão se comprova no esforço e na prática da misericórdia, do perdão, da reconciliação e da fraternidade, até o amor aos inimigos. Sem a espiritualidade de comunhão e missão caímos nas “máscaras de comunhão” e damos espaço ao terrorismo da fofoca, às suspeitas, ciúmes, invejas que são sentimentos e atitudes destrutivas.

No último dia 15 de janeiro o Papa Francisco disse: “Vocês querem uma paróquia perfeita?  Não fofoquem. Se você tem alguma coisa contra uma pessoa, fale diretamente com ela ou converse com o pároco, mas não entre vocês. Este é o sinal de que o Espírito Santo está numa paróquia. Os outros pecados, todos temos. Existe uma coleção de pecados: eu pego esse, você pega aquele, mas todos somos pecadores. Porém, o que realmente destrói uma comunidade, como o verme, são as fofocas.”

Não caiamos no mundanismo espiritual que consiste em só confiar nas próprias forças e se sentir superior aos outros por ser fiel a certo estilo católico, por pertencer a um determinado grupo ou por fazer parte de uma determinada pastoral há mais de 50 anos. O mundanismo espiritual atinge tanto a liturgia como a militância social:

1- O mundanismo espiritual nos leva há uma pretensão de dominar o espaço da Igreja com um cuidado exibicionista da liturgia;

2- Por outro lado, o mundanismo espiritual se esconde atrás do fascínio de poder mostrar conquistas sociais e políticas.

O Batismo não significa uma adesão a Paulo, a Apolo ou a Pedro…mas,  a Cristo.

Os cristãos leigos são portadores da graça batismal, participantes do sacerdócio comum, fundado no único sacerdócio de Cristo. O sacerdócio batismal que concede direitos na Igreja. Dentre outros, lembramos alguns: associar-se em movimentos de espiritualidade e de apostolado, conhecer a fé, participar dos sacramentos, manifestar-se e ser ouvidos em questões de fé, cooperar na edificação do povo de Deus, educar filhos na fé cristã. Aos direitos acrescentam-se os deveres: participar do múnus profético, sacerdotal e real, colaborar com os pastores na ação evangelizadora, dar testemunho do Evangelho em todos os ambientes.

Os cristãos leigos são embaixadores de Cristo e participam do pleno direito na missão da Igreja e tem um lugar insubstituível no anúncio e serviço do Evangelho. Para uma adequada formação de verdadeiros sujeitos maduros e corresponsáveis para a missão, é necessário que a liberdade e autonomia se desenvolvam não no fechamento ou na indiferença, mas na abertura solidária aos outros e às suas realidades.

CRISTO é a única fonte de Salvação para todos e é Ele que devem comunicar. (1Cor 1,10-13.17)

* Com frequência em nossas comunidades, pessoas procuram conduzir o olhar e o coração dos fiéis para a sua “brilhante” personalidade ao invés de levar as pessoas a descobrir o Cristo como fez nosso padroeiro São Sebastião.  Esses “grupinhos” costumam ser prejudiciais ao Grupo, Comunidade, Paróquia e a Igreja …Visto que a Igreja é comunhão no amor, seguidora de Cristo e servidora da humanidade. Por isso a essência da Igreja é a missão, a Igreja é toda ela missionária. Igreja é a comunidade de missionários que age na terra segundo o modelo das três pessoas divinas, que tudo fazem em vista do Reino, do amor, justiça e paz.

O Papa Francisco quer uma Igreja de portas abertas, mais forte no Querigma do que no legalismo. Uma Igreja da misericórdia mais do que da severidade. O Papa Francisco diz que não podemos ficar tranquilos no templo, nem dizer que foi sempre assim. A vida é uma missão. Sobre isso no último dia 17 de janeiro o Papa disse: entendam bem:  “Os cristãos preguiçosos, os cristãos que não têm vontade de ir avante, os cristãos que não lutam para fazer as coisas mudarem, coisas novas, coisas que fariam bem a todos se mudassem. São os preguiçosos, os cristãos estacionados: encontraram na Igreja um belo estacionamento. E quando digo cristãos, digo leigos, padres, bispos… Todos. E como existem cristãos estacionados! Para eles a Igreja é um estacionamento que protege a vida e vão adiante com todas as garantias possíveis. Mas esses cristãos parados me fazem lembrar de uma coisa que nossos avós diziam quando éramos crianças: ‘Fique atento porque água parada, que não escorre, é a primeira a se corromper”. Trata-se de um desafio para toda a Igreja, passar de atitudes fechadas à formação de uma nova cultura, que constrói cidadania no diálogo e que não tem medo de acolher o que o outro, o diferente, tem a oferecer. Esse é o espaço aberto para os cristãos leigos, nesta sociedade dilacerada pelo desrespeito ao diferente, pela intolerância e pelo medo do outro.

O Evangelho apresenta a realização da profecia de Isaías:”O Povo que vivia nas trevas viu uma grande luz”. (Mt 4,12-23)

* Jesus é a luz, que começa a brilhar na Galiléia e propõe a todos os homens a Boa Nova da chegada do Reino.

Os discípulos serão os primeiros destinatários da proposta e as testemunhas encarregadas de levar o “Reino”  a toda a terra.

+ Jesus COMEÇOU sua atividade numa região pobre e oprimida, no interior do país, longe do centro econômico, político e religioso do seu país. Uma região desprezada pelos judeus como “Galiléia dos pagãos”. Jesus deixa Nazaré e dirige-se para Cafarnaum, à margem do Lago, que se tornará o centro de sua atividade apostólica. Começa com o mesmo anúncio de João Batista:

“Convertei-vos, porque o Reino de Deus está próximo”. As suas Palavras anunciam essa nova realidade e os seus gestos são sinais evidentes de que Deus começou a sua obra.

+ Seus primeiros COLABORADORES, são pescadores do lago de Genesaré, gente simples, rude, sem estudo…mas leal, homens trabalhadores, que sabiam o que é lutar pela vida. E quando ouviram o apelo de Cristo, deixaram tudo e o seguiram: “Venham e sigam-me e farei de vocês pescadores de homens. Eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram”.

O QUE É O REINO DE DEUS?Não é fácil explicar os Mistérios de Deus… Jesus compara o Reino ao tesouro e à pérola preciosa, diante dos quais tudo o mais perde seu valor. Compara o Reino com a semente, o grão de mostarda, o fermento. Jesus quer dizer que já está presente, mas ainda longe sua realização definitiva.É um Reino aberto a todos os homens.

O Reino de Deus é
– É um apelo do Senhor para os homens formarem comunhão com o Pai e entre si.

– É uma presença de Deus nos homens e no mundo.

– É um convite para ser mais, mais autêntico, mais sincero, mais de Deus…

O Reino de Deus é dom e missão. Como dom deve ser acolhido e como missão deve ser buscado, testemunhado e anunciado. Para esta missão a Igreja contribui em comunhão com todos os homens e mulheres que buscam construir uma sociedade justa e fraterna.

A Igreja existe para o Reino de Deus. Dessa convicção ela se nutre e nessa direção se organiza em suas estruturas. Pela força do Espírito a ação da Igreja é direcionada para fora de si mesma como servidora do ser humano, buscando a transformação da sociedade através das graças do Reino de Deus.

O Reino tem exigências:

+ Conversão: – É ajustar a nossa vida aos planos de Deus, é fazer com que Deus ocupe o primeiro lugar em nossa vida.

– É despojar-se do homem velho para se revestir do homem novo, criado segundo Deus, na justiça e na santidade.

– É assumir a mentalidade do Evangelho e ver o mundo, as coisas e nós mesmos com os olhos de Deus. É uma atitude contínua… permanente…

+ Fé: É entregar-se nas mãos de Deus … e fazer a sua vontade.

Mais do que uma resposta intelectual é uma Resposta de vida…

+ Humildade: O Reino só é possível aos humildes.

Deus detesta os orgulhosos e aqueles que sentem prazer em humilhar e pisar nos outros e ama aqueles que sabem precisar de Deus, e se põem sem interesses a serviço dos irmãos.

+ PESCADORES DE HOMENS

CRISTO inaugurou o seu Reino e continua convidando ainda hoje…

Os convidados somos eu, você, todos nós…

Todos nós somos chamados a deixar tudo para seguir Jesus, anunciar a Boa nova e fazer gestos de salvação.

– O que nos diz o apelo de Cristo: “Farei de vós pescadores de homens”?

– O que significa concretamente para nós: “deixar tudo… para segui-lo”?

CRISTO conta conosco… para que nesse mundo de trevas e violência, possa brilhar uma luz, para que esse REINO possa chegar ao coração de todos os homens. Ele aguarda a resposta, o nosso SIM generoso ao seu CHAMADO. Pedimos a Maria e Sebastião, mãe da Igreja e padroeiro dessa paróquia que interceda a Deus por nós, para que com sua ajuda nos convertamos e coloquemos em pratica o que realmente Cristo quer de nós. Ouçamos Maria…faça tudo que Ele vos disser.

***Viviane Carvalho – Assessoria de Imprensa Arquidiocese de Montes Claros  (38 Vivo) 9905-1346 (38 claro) 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected]

 

 

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