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Por que um Sínodo para a Amazônia? (II)

            Acontecerá em Roma, nos dias 6 a 27 de outubro do corrente ano, a Assembleia do Sínodo Especial para a Pan-amazônia. O Sínodo foi convocado pelo Papa Francisco em 15 de outubro de 2017 e terá como tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para a ecologia integral”. O Papa indicou como finalidade principal “encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso planeta”.

            A atenção para a realidade da Amazônia não é uma atitude recente da Igreja no Brasil. Recorde-se do Projeto Igrejas Irmãs, que tem concretizado relevantes parcerias entre dioceses, especialmente do sul e sudeste com dioceses da região norte para o envio de missionários – leigos, religiosos e padres – e de recursos para a ação evangelizadora naquelas terras. Outra recordação se refere à Campanha da Fraternidade de 2007, com o tema “Fraternidade e Amazônia” e com o lema “Vida e missão neste chão”. Incontáveis iniciativas poderiam ser aqui lembradas para assinalar que o Sínodo Pan-amazônico se inscreve num histórico de zelo e cuidado pastoral pela região.

            No entanto, quando se trata de um Sínodo convocado pelo Papa a temática ganha uma importância para toda a Igreja. No cenário eclesial, falar da Amazônia e de sua desafiadora realidade para a evangelização suscita grande interesse e compromisso, mas também desconfianças e resistências. Esse mecanismo de reações a favor ou contra é muito comum na história dos concílios e dos sínodos. Nos dias de hoje, porém, qualquer polêmica é facilmente alimentada através das redes sociais. E, infelizmente, tem sido comum a proliferação de fake News, enorme desserviço à verdade e à causa da evangelização. Lamentavelmente, muitos católicos têm se deixado levar por opositores e agido contra bispos e o papa. Alguns apelam ao desrespeito e às agressões verbais, ferindo o princípio evangélico da caridade.

            Mas a ousadia é um traço da personalidade de Francisco e dos bispos que vivem na Amazônia. Eles não hesitam em abrir o diálogo sobre os temas relevantes para a missão da Igreja, mesmo quando esses temas provocam reações apaixonadas. Foi assim com o Sínodo para a Família e, também, com o Sínodo para os Jovens. Francisco sabe que é fundamental abrir a palavra para o tema da evangelização na Amazônia, com a expectativa de encontrar novos caminhos para a Igreja e para a ecologia integral. O processo sinodal é sempre fecundo. O que o Espírito dirá à Igreja da Amazônia? O que Ele disser passará pela palavra dos participantes do Sínodo. Nossos irmãos bispos, que cruzam a floresta amazônica e seus rios para manter entre os povos amazônicos a chama da fé e a comunhão eclesial, são verdadeiros missionários que a Igreja precisa nos dias de hoje. Confiemos na experiência, na lucidez e na sabedoria de cada um deles.

Finalizemos com as últimas palavras do Instrumento de Trabalho: “Esperemos que este Sínodo seja uma expressão concreta da sinodalidade de uma Igreja em saída, para que a vida plena que Jesus veio trazer ao mundo (cf. Jo 10,10) chegue a todos, especialmente aos pobres”.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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