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“Posso dizer que fui uma criança feliz”,conheça a história de Ezequiel!

Natural de Montes Claros, aos 57 anos, Ezequiel Felipe Pereira é casado com Sônia Versiani Pereira, há 31 anos. Juntos tiveram 03 (três) filhos, sendo dois rapazes e uma moça – Um engenheiro civil, outro advogado e a única filha que se formou em medicina veterinária. Ele poderia parar sua história de doação e vocação aqui, certo? Errado. Mesmo depois de ter os filhos criados e independentes, foi no voluntariado, no serviço social e na Igreja que Ezequiel se firmou como homem de bem e deseja continuar servindo até quando vida tiver.

“Posso dizer que fui uma criança feliz”, sou o caçula dos homens de uma família de 12 irmãos. Sempre cercado de muito carinho e amor. Minha mãe, muito religiosa sempre nos ensinava os valores cristãos e o amor a Nossa Senhora. Viemos morar no bairro roxo verde que fica bem ao lado do bairro Cintra, onde começou a minha história com o saudoso padre Henrique Munáiz.

Conselheiro, amigo e pai, definiu nessas três qualidades, o sacerdote que o “encaminhou” na vida. A minha convivência com padre Henrique foi marcada por muita admiração, respeito e cumplicidade. Foram aproximadamente 40 anos de intensa admiração e respeito mútuo. Foi de uma de suas mãos, que recebi a minha Primeira Eucaristia, na época deveria ter meus 8 a 9 anos. Minha mãe, devota de Nossa Senhora, foi quem me encaminhou bem cedo para a Igreja. Mas foi na casa do padre Henrique que tive a referência de comunidade. Um parquinho e também um mini zoológico no extenso quintal da sua casa, me encantava (quantas saudades), e tantos outras crianças também. Ali, fui crescendo, convivendo em meio à natureza e ajudando no serviço e cuidado com os animais. Já na minha adolescência havia um combinado entre o padre e a meninada: Nós o ajudávamos a alimentar os coelhos durante um determinado tempo e ao final de um mês, recebíamos  como prêmio, 01 coelhinho. Isso nos motivava a cuidar sempre mais, e nos finais de tarde, numa roda de conversa, ele nos ensinava história, geografia, política, cidadania e tantos outros conceitos importantes para a formação dos jovens, brincando.

No círculo operário, a minha convivência com o padre se deu na juventude quando ingressei no grupo de jovens Trabalhadores Cristãos – G J T C. Nesta época, a capela do círculo operário fazia parte da paróquia Nossa Senhora da Consolação e o então pároco, padre Antônio Carlos fazia questão dessa unidade entre o círculo, o grupo de jovens e paróquia. Padre Henrique não media esforços para estar em nossas reuniões, encontros e passeios. Era um verdadeiro orientador espiritual, um conselheiro incansável, sempre disposto a ouvir quem perto dele se aproximava. Se cheguei até aqui, foi por sua força, incentivo e entusiasmo.

Certa ocasião me sentindo cansado e sem ânimo para continuar com os trabalhos no círculo operário, disse a ele que iria me afastar, aleguei cansaço. Depois de me ouvir, respondeu: __ Filho, nós somos como vara verde que enverga, mas não quebra, não deixe que maus pensamentos tirem você do caminho. Não se joga pedras em árvores que não estejam dando frutos, e também não se poda uma planta, que esteja carregada de frutos. Trago comigo sempre esse conselho dele, quando me vejo atribulado e apreensivo.

Muitos foram os ensinamentos adquiridos ao longo dos anos. Aprendi com o religioso, que o caráter de um homem se forma na juventude, e por isso acredito que todos os que passaram pelo convívio e orientações d’ele, são hoje, homens e mulheres de bem. Eu procurei e busco até hoje, repassar aos meus filhos, mesmo em sendo independentes, somos uma família e partilhamos tudo.

No círculo operário ele estava sempre à frente das decisões, pois era um homem à frente do seu tempo, detinha uma visão ampliada para o social, a cidadania, o próximo. Não queria nada para ele, mas também queria que as coisas caminhassem para que todos pudessem partilhar da mesma comunhão. Não queria ver nenhuma das suas ovelhas passando necessidade. Foi com seus exemplos que aprendi a ajudar, sempre que era solicitado para ajudar a saciar a fome de uma pessoa ou família – a providência acontecia. Quantas vezes fui pego expressando uma alegria sem tamanha, ao poder atender aos seus chamados para prover o sustento de outros.  ___ Filho, esta pessoa está precisando (falava a necessidade do irmão necessitado) e graças a Deus, sempre estava pronto a lhe atender, é como acredito, Deus provia e a ajuda chegava, o milagre da partilha acontecia.

Quando fomos fazer a reforma do telhado da creche, sem condições financeiras apresentei o projeto a ele e prontamente me apoiou, foi um trabalho que envolveu toda a comunidade inclusive a escolar, e graças a Deus, ele ainda viu a obra concluída, seus olhos brilhavam de alegria e satisfação. Por muitos anos acompanhou as romarias do círculo operário à Aparecida do Norte, contávamos com o seu entusiasmo contagiante. Nas primeiras viagens, saiamos de Montes Claros de trem de ferro até Belo Horizonte e seguíamos de ônibus da capital mineira até São Paulo.

Hoje dou graças a Deus por me ter concedido a graça de conviver com uma pessoa como o padre Henrique, homem justo, pastor zeloso e caridoso. E foi pela convivência e ensinamentos, me tornei o homem que sou hoje.

Aos jovens, assim como falo com os meus filhos, gostaria de dizer para que estejam atentos aos ensinamentos da nossa Igreja, pois, é nos pequenos detalhes que está a sabedoria. Sejam jovens compromissados, busquem a liberdade sem libertinagem. Exercitem o dom da escuta. Ouça os conselhos dos seus pais.

A minha vida no círculo operário: Desde muito cedo me interessei pelas causas sociais, aprendi ainda jovem que enquanto cristão, preciso me preocupar com a causa do próximo, principalmente do mais carente. E ao ingressar no grupo de jovens aqui do círculo operário o G J T C pude dedicar mais intensamente a esta causa. Também foi devido a minha missão circulista com famílias em dificuldades, que resolvi cursar a faculdade de Serviço Social e graças a Deus, hoje posso fazer o meu trabalho com mais propriedade. Convido a todos a virem conhecer o círculo operário, as atividades que aqui desenvolvemos, as famílias que aqui ajudamos. Temos sim muitas dificuldades, mas, juntos somos mais!

Você vai saber mais sobre a história do Ezequiel, quando participarmos do caminho das 7 Igrejas. Domingo, dia 7 de abril. Estamos esperando por você e sua família.

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***Viviane Carvalho – Assessoria de Imprensa Arquidiocese de Montes Claros  (38 Vivo) 9905-1346 (38 claro) 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected] 

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