Voz do Pastor

PROFETISMO

Dentre tantas propostas ou palavras comunicadas, discernir a verdade e o melhor nem sempre é fácil. Precisamos nos treinar para isso, com a exercitação dos sentidos, da inteligência e da experiência. A profecia na Bíblia, para ser legítima e crível, foi muito exercida e experimentada dentre o antigo povo de Deus. Mas muitos falsos profetas confundiram a cabeça do povo judeu e o fizeram, não poucas vezes, a ir atrás de falsos deuses. Isso os arruinou terrivelmente, a ponto de quase deixar de existir como povo.

Mas a profecia não trata simplesmente de se adivinhar sobre o futuro e sim ouvir o que a pessoa fala em nome de Deus. A verdadeira profecia é mostrada na realização do que o profeta está dizendo. O ídolo, ou falso deus, não faz efetivar o que o falso profeta está dizendo sobre ele. Ao contrário, arruína a pessoa e a comunidade que nele acredita. Assim hoje, os falsos deuses são caracterizados de modo forte no ter, no poder e no prazer como a finalidade de vida. Os verdadeiros profetas só o são quando assumem, seguem e ensinam a verdade expressa pelo Deus verdadeiro, explicitados na verdade do Filho de Deus. Ele ensina que a finalidade de tudo é Deus, que nos criou para o amor. Ele nos dá base para o exercício da fraternidade, promoção da justiça, da misericórdia e da promoção da vida plena e de sentido para todos.

As mentiras espalhadas pelas pessoas, e muitas vezes disseminadas pelos meios de comunicação, fazem muitos pensar que a falsidade é a verdade. Assim, quanto mais a pessoa tem riquezas materiais e até acumuladas ilicitamente, bem como a busca desenfreada e imoral  dos prazeres e o exercício do poder para a busca de interesses pessoais de modo escuso, mais ela vai ser feliz.

Jesus pratica e ensina a humildade como forma de apresentar a verdade da pessoa humana, do valor absoluto de Deus e da relatividade do que é passageiro nesta vida. Deste modo, quanto mais a pessoa for verdadeira em usufruir os valores humanos com o enfoque divino, mais ela se realiza por assumir a missão de amar o semelhante, colocando-se em disponibilidade para servi-lo da melhor maneira.

O profetismo acontece não só na comunidade religiosa e a partir dela, mas também na convivência com outras pessoas que não tiveram a oportunidade de conhecer os ditames da fé religiosa. Basta ver o que homens, na época de Moisés, exerceram de profetismo fora da comunidade judia (Cf. Números, 11,25-29).

Precisamos, de modo especial, a partir de nossas comunidades, fazer a conscientização para o exercício da boa profecia dentro da realidade política, para que pessoas de bem, bom caráter e qualificação para o cargo, exerçam-na. Mais: a boa consciência política e profética deve ser cultiva em quem ajuda a eleger tais pessoas. Então teremos mais seguimento, não de falsos deuses, e sim do verdadeiro Deus, que nos ensina a promover a vida e a dignidade humana com realização plena de todos, a partir dos mais deixados de lado no convívio social justo e fraterno.

José Alberto Moura, CSS Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG

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