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Querida avó! Querido avô!

A Igreja celebra, a cada dia 26 de julho, a memória de Sant’Ana e São Joaquim, pais de Maria de Nazaré, a quem, na fé, damos o título de Nossa Senhora, e avós maternos de Jesus. Recentemente, quis o Papa Francisco definir o quarto domingo de julho como o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. Pela primeira vez, toda a Igreja dedicará um domingo a celebrar a vocação desses pais e mães que tiveram a graça de se alegrarem ao tomar nos braços os filhos de seus filhos. Já observou como os avós ficam encantados, com um olhar amadurecido de quem já embalou os próprios filhos? Como eles se deleitam com as travessuras de seus netinhos? Como sorriem ao contemplar seus netos crescidos e adultos, com profissão e trabalho? Como se rejubilam ao ver os netos de seus filhos, quando se tornam bisavós? Um número bem menor chega a dizer: “Meu neto, dê-me cá seu neto”. Esses são tataravós. Que bênção!

Escrevendo uma mensagem para esse dia, Papa Francisco afirma que os avós podem ajudar a colocar três pilares para o mundo de amanhã: os sonhos, a memória e a oração. Poderão os avós sonhar? Mas é claro que sim. Os sonhos apontam para um futuro melhor. E a maturidade deles ajuda a não confundir fantasias com sonhos. Sabem, por experiência, o quão exigente é a história. Com a memória agradecida apostam que sempre haverá novos horizontes para o triunfo do amor, da misericórdia, da paz, da justiça e da verdade. Sabedores da brevidade da vida e de seu sustento em Deus, oram confiantes como os melhores intercessores em favor de suas famílias e comunidades. Realistas, querem viver sem negar que o entardecer da vida está em curso. Trazem em seus corações a esperança de serem cuidados, porque são amados e queridos.

Uma bela pintura de Nicolás Juárez, do final do século XVII, apresenta a Sagrada Família – Jesus, Maria e José – com Sant’Ana e São Joaquim. Isso nos motiva a imaginar que Jesus experimentou o aconchego do colo de seus avós. Com eles teve lições de vida e de fé. Por sua vez, o famoso educador e escritor Rubem Alves, teólogo e psicanalista, em seu artigo para a Folha de São Paulo de 27/12/1998, com liberdade poética, indicou uma fórmula mais leve para o mistério da Trindade. Seria “Em nome do avô, do neto e da brincadeira”. Sem negar a linguagem da ortodoxia trinitária, o autor recorre à cena familiar para remeter ao mistério da comunhão das divinas pessoas, fonte de toda experiência de amor. Quem pôde brincar nos braços de seu avô ou de sua avó pode entender a razão dessa interessante analogia. E quem bebeu da fé cristã junto deles sabe por onde passa o caminho da comunidade eclesial, do batismo, da eucaristia, da Palavra de Deus, do culto aos santos… Sem tirar a responsabilidade dos pais, os avós são uma referência de valor inestimável para a educação da fé.

Saúdo, então, a você que recebeu a graça de ter netos e netas e de poder acompanhar a beleza de novas famílias geradas pelos seus filhos. Saúdo, também, a você que pode pedir a bênção de seus avós. Não deixe de estar com eles, escutá-los, deixar que lhe contem as histórias de sua família, de suas raízes. Reze com eles e por eles. Desfrute bem da presença de seus avós em sua vida. Eles são parte muito importante de sua história. Queira-os muito bem. Ame-os.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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