Voz do Pastor

SACUDIR A POEIRA

Foot in exploding dust

Jesus escolheu os apóstolos, enviou-os para ensinar a todos, de todos os lugares, com o poder de fazer as pessoas superar seus males físicos, psíquicos e espirituais. Mas Ele sabia que nem todos aceitariam sua pregação e mudança de vida. Por isso, Ele afirmou que deveriam ir a outros que os aceitassem. Na saída deveriam até sacudir a poeira dos pés, indicando a reprovação aos oponentes (Cf. Marcos 6,7-14).

O Papa Francisco fala que devemos ser Igreja “em saída”, ou seja, precisamos superar a tentação de nos fecharmos para dentro de nós mesmos, superando o intimismo ou a fé inerte e partindo para evangelizar. Dessa forma entramos bem dentro da perspectiva de Jesus, sendo discípulos e missionários seus. A Igreja não é finalidade por si mesma nem de si mesma.  É instrumento de salvação para indicar o caminho acertado do ser humano, para produzir vida digna para todos. O Mestre indica sua missão de ser luz para a humanidade encontrar o sentido de sua história. Desse modo, é possível consertar o que está errado e que faz o ser humano sofrer quando isso não é necessário. Tem muito sofrimento provocado pelo egoísmo, pela injustiça e falta de altruísmo ou compaixão. Como Igreja solidária seremos capazes de ajudar as pessoas a se formarem e se conscientizarem a respeito do bem realizado aos outros, com as melhores consequências também para quem o faz. Podemos implantar mais defesa do meio ambiente, superar as guerras, as discriminações, as exclusões sociais, bem como melhorar a família, a política e a cultura inclusiva, com os respeito aos mais fragilizados da sociedade.

O Concílio Vaticano II nos dá muitas indicações para sermos Igreja que sabe dialogar com a sociedade, mesmo tendo que sacudir a poeira frente a quem desrespeita a vida e a dignidade humana. Sua voz profética a leva a não se calar perante gritantes injustiças e desrespeito ao semelhante. Ela ajuda a formar as pessoas e as consciências para a construção de uma convivência cidadã e inclusiva, a partir da base da família que saiba formar os caracteres das crianças e dos jovens para a cultura da alteridade e da paz.

Conforme a narrativa bíblica, Amasias, sacerdote de Betel, advertiu o profeta Amós para ele não exercer a profecia perto da morada do rei para ele não ser perseguido. Mas o profeta não renunciou sua missão, mesmo árdua. Continuou a falar em nome de Deus para a conversão dos que não viviam corretamente (Cf. Amós 7,12ss). Se as pessoas de bem,   comprometidas com o projeto do Criador, exercerem sua missão de testemunhar a verdade e defender a justiça, terão mais resultado em colaborar com a mudança da sociedade. Assim atuam em bem da implantação da vida de mais harmonia e solidariedade para todos. Não podemos nos omitir perante tantos males da sociedade, fazendo nossa fé mais dinâmica e transformadora.

Os discípulos de Jesus o obedeceram e fizeram o bem possível a todos aos quais se dirigiam, ensinando o que Ele fez e mandou dizer, bem como atuando pelo bem físico, moral e espiritual para as pessoas. Hoje, se também nos unirmos para a promoção do bem da comunidade, seremos mais capazes de atender as necessidades de todos, a partir dos mais deixados de lado no convívio social.

José Alberto Moura, CSS –   Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG

 

 

 

 

Adicionar Comentário

Clique aqui para postar seu comentário

Artigos de Dom João Justino

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

Luz para os Meus Passos

AGENDA

SuMoTuWeThFrSa
 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

 
 « ‹out 2021› » 

REVISTA

 

ENQUETE

No ano em que realizaremos a IV AAP (Assembleia Arquidiocesana de Pastoral) a Diocese de Montes Claros comemora quantos anos de criação?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...