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Se precisar, peça ajuda

Arte: clinica.ciclos

Um fato que traz imensurável dor às pessoas é a morte por autoextermínio ou suicídio. Sofrem não apenas as pessoas do entorno daquele que partiu, mas inúmeras outras que se sensibilizam ao saberem que alguém partiu dessa forma. Imagina-se um sofrimento e angústia insuportáveis como razão para alguém não enxergar outras saídas para suas dificuldades. Para a maioria é sempre muito difícil falar do suicídio. Entre motivos desconhecidos, talvez a incerteza e a falta de uma palavra que ajude a compreender a estranheza de um ato de ruptura tão drástica na trajetória da vida e que deixa muito mais perguntas que respostas, abrindo uma lacuna impossível de ser preenchida com respostas suficientes.

Nos últimos tempos nasceram iniciativas de abrir diálogos sobre esse tema considerado um tabu. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Daí veio a extensão para celebrar o Setembro Amarelo. Não somente um dia, mas um mês para tratar da Prevenção do Suicídio. O amarelo remete à história de Mike Emme, jovem de 17 anos que, nos Estados Unidos, em 1994, cometeu autoextermínio. Nem a família nem os amigos perceberam qualquer sinal de alerta. No funeral, os amigos distribuíram cartões e fitas amarelas, com a mensagem: “Se precisar, peça ajuda”. Aos poucos o amarelo tornou-se a cor para estimular a prevenção.

Ninguém nega que a vida comporta dificuldades ora pequenas ora muito grandes. O próprio nascimento comporta a dor de uma ruptura com uma situação confortável, a vida intrauterina. Como tudo, o tempo de gestação tem seu limite. Para viver é preciso ser dado à luz. Há choros de dor, de desconforto, de alegria… Nesse misto de sensações e sentimentos começa um itinerário que nenhum de nós tem como garantir que será desse ou daquele modo. A vida é dom e todo verdadeiro dom é aberto à novidade. O humano é maravilhosamente frágil e forte. A vida desperta suas energias e pulsa querendo passagem. Ela é permeada de perdas e de ganhos, e feliz é quem amadurece com seus próprios tropeços. Vai adquirindo a sabedoria que se alcança com o tempo, no aprendizado com as suas angústias e na resiliência diante das frustrações.

A beleza de viver associa-se à experiência de ser querido e amado. Por vezes, alguém pode experimentar a sensação de auto reprovação. Pode cair a autoimagem e revelar-se a fragilidade até então desconhecida. Os evangelhos apresentam situações de retomada do vigor da vida a partir do perdão e da misericórdia. Quando a mulher acusada de adultério escuta de Jesus a palavra libertadora “Nem eu te condeno…”, ela experimenta o amor genuíno que deseja a vida e não a morte. Sente-se amada e perdoada. Pode prosseguir e viver (cf. Jo 8,1-11).

É urgente largar as pedras no chão e estender as mãos àqueles que aguardam nosso olhar atento, expressão do respeito e do reconhecimento da dignidade da pessoa. Nenhum cristão se furte à tarefa de escutar a quem pede ajuda, especialmente quando a pessoa revelar sua angústia diante dos desafios da vida. Quem não puder escutar, encaminhe para quem o possa fazer, inclusive profissionalmente. E quem escutar, lembre-se de que a escuta é um ato ético. Comporta valores e responsabilidades.

+ João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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