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Seminário Arquidiocesano de Fé e Política: dimensão sócio-transformadora da Igreja

A Escola de Formação em Fé e Política da Arquidiocese de Montes Claros realizou nos dias 22 e 23 de agosto, o Seminário Arquidiocesano de Fé e Política. O encontro on-line ocorreu por meio das redes sociais da Comissão Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) e contou com a participação de pessoas de todo o Brasil.

O evento idealizado pela Arquidiocese de Montes Claros contou ainda com a parceria da Comissão Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), o Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (NESP), o Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH-Norte), o Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Câmara da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CEFEP), as Pastorais Sociais e as Faculdades ISEIB.

O cantor Zé Vicente, uma das principais referências musicais da Teologia da Libertação e considerado o cantor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), realizou a acolhida e a mística inicial no sábado, dia 22/08. O cantor frisou que este era um momento sagrado da unidade entre os cristãos que, animados pela fé, reanimam milhões de pessoas que se encontram em estado “de agonias sem qualquer consolo, sem qualquer alento”.

Dom João Justino, Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, abriu oficialmente o evento e ressaltou a dimensão sócio transformadora da Igreja, que expressa que esta instituição religiosa, embora não seja do mundo, está presente no mundo, no meio das sociedades humanas, e por isso, deve agir como fermento na massa, contribuindo para que essas sociedades se organizem em conformidade com os valores e exigências do Reino de Deus, o que faz com que a Igreja se solidarize com as aspirações e esperanças da humanidade sendo levada pela “fome e sede de justiça” a colocar-se a serviço da causa dos direitos e da promoção da pessoa humana, especialmente dos mais pobres, denunciando as injustiças e violências, para que possa surgir uma sociedade verdadeiramente justa e solidária. Essas foram razões pelas quais se justificou a realização do Seminário de Fé e Política.

Contribuiu com o Seminário, o professor Pedro Ribeiro de Oliveira, da coordenação do Movimento Nacional Fé e Política, que realizou a análise sobre “Fé e a Política diante das ameaças à democracia”, tendo como mediador o professor Padre Antonio Alvimar, reitor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Padre Alvimar realizou um retrospecto da atuação do sociólogo Pedro Ribeiro que por mais de uma década desenvolveu análise de conjuntura para a Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil, sendo ao mesmo tempo um intelectual militante em favor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e dos movimentos sociais. Em sua palestra, o professor Pedro Ribeiro, lembrou uma definição da escolástica que afirma que política é ciência e arte do bem comum, ou seja, estudo e ação para a gestão dos bens coletivos que incluem o conhecimento, os recursos naturais e materiais, embora boa parte desses bens tenham sido privatizados. O sociólogo enfatizou que a política, quando promotora do bem comum, deve ser pensada a partir da “defesa dos pobres”, o que corrobora com as perspectivas apresentadas pela Doutrina Social da Igreja.

Ainda no sábado, o Promotor de Justiça, Felipe Caires, da Coordenadoria do Patrimônio Público de Montes Claros, abordou o tema “Responsabilidade com a coisa pública”, sendo mediado pela presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Sônia Gomes de Oliveira, que explanou sobre como a sociedade vem ampliando o debate acerca do respeito e transparência com o patrimônio público e como as eleições amplificam o compromisso cidadão. O promotor citou que os administradores dos recursos públicos devem se pautar pelos cinco princípios que constam no acróstico LIMPE. São os princípios da Administração Pública, seja direta ou indireta: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. Felipe Caires esclareceu ainda que é necessário cobrar da administração pública a transparência nos atos.

O promotor explanou a relação entre a Igreja e a política. Citou que o fiel não deve adotar uma atitude passiva na sociedade. Deve, portanto, se engajar nos processos políticos em favor da coletividade. Felipe Caires também abordou a questão da laicidade do Estado, o que significa que a nação não adota um credo religioso específico como oficial. Estado laico, contudo, não proíbe a atuação das religiões, inclusive dentro do próprio Estado.

No domingo, dia 23/08, a mística foi realizada por Cida Vieira, da Cáritas de Montes Claros, que se referiu a Frei Betto, religioso dominicano que estuda a relação entre fé e política. Betto afirma que a fé é um ato pelo qual o ser humano se posiciona diante do mistério de Deus, enquanto que a política é uma ferramenta de construção da sociedade de justiça e liberdade. Em seguida, a palestra inicial com o tema “Fé, Política e Direitos Humanos” foi proferida pelo professor Robson Sávio, do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) e coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da mesma universidade. O mediador foi o sociólogo, professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luiz Eduardo de Souza Pinto, que é assessor da Escola de Formação em Fé e Política da Arquidiocese de Montes Claros.

Eduardo Souza apontou a presença da política em todas as dimensões sociais e abordou que, da construção acerca da percepção sobre o corpo humano até a definição sobre o preço dos alimentos, são caminhos perpassados pela esfera política. A política está vinculada a vida na pólis, do povo, do governo e da administração pública, cujo objetivo é o de administrar o patrimônio público e promover o bem público, ou seja, os bens de todos. O professor Robson Sávio desenvolveu uma análise histórica a respeito da construção dos direitos humanos e como a elaboração desses direitos é oriunda de uma luta política. Também estabeleceu uma correlação entre política, religião e direitos humanos, demonstrando como esses três campos se constituem em uma relação complexa e que muitas vezes utilizam alicerces comuns.

O ciclo de palestras foi encerrado pelo Padre Antônio Aparecido Alves, o Padre Toninho, coordenador do Curso de Teologia da Faculdade Católica de São José dos Campos e membro do grupo de assessores do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP/CNBB), cujo tema foi “A Doutrina Social da Igreja como fonte para reencantar a política” mediada pelo Padre Adilson Ramos Melo, pároco da Igreja São Francisco de Assis, em Montes Claros e Vigário Geral para Ação Social.

Padre Adilson de Melo lembrou que no dia 23 de agosto se celebra a vocação do laicato. Destacou que são as leigas e os leigos que fundamentam os trabalhos da Igreja e, também, lembrou a importância da Doutrina Social da Igreja como instrumento de orientação para a ação de toda comunidade. O Padre Toninho traçou um percurso entre a política, a fé e o encantamento político através da caridade e da ação pastoral.

Baixe aqui o material Encantamento Político usado pelo padre Toninho em sua palestra.

Após o término de cada palestra, houve espaço para debate e participação da comunidade. Na finalização dos trabalhos do Seminário, dom João Justino conferiu os encaminhamentos finais e proferiu a leitura da carta contendo as diretrizes da Arquidiocese de Montes Claros para as eleições de 2020.

Texto: Luiz Eduardo de Souza Pinto

Confira o Seminário de Fé e Política da Arquidiocese de Montes Claros na íntegra: 

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***Fabíola Lauton – Comunicação da Arquidiocese de Montes Claros – (38) 9 9957-3961 / (38) 9 8423-8384 ou pelo e-mail: [email protected]

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