Voz do Pastor

SER CATEQUISTA

Neste mês de agosto toda a Igreja celebra o mês dedicado especialmente às vocações de serviço à causa da implantação do reino de Deus. Responder a Ele, em base ao dom da fé, faz a pessoa desenvolver todos os seus talentos em bem da melhor atuação para a construção de uma vida solidária e promotora do bem da comunidade religiosa e de toda a sociedade.

É bem focalizada, neste contexto, a vocação de catequista, que é fundamental para a formação da consciência cristã, levando as pessoas a se perceberem e se comprometerem com a fé e a religiosidade transformadora e promotora da vida digna para todos. Não se trata só de conhecer Jesus Cristo e sua Palavra. Mais: de atuar na vida para seguir o próprio Filho de Deus e ajudar a todos na promoção da nova ordem social, em que cada um colabore com a implantação da justiça, da misericórdia, da solidariedade, com o enfoque ético e moral da vida.

Neste ano em que a Igreja católica do Brasil comemora a pessoa, o valor e o protagonismo dos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, o papel dos catequistas vem bem realçado. Eles não são apenas voluntários que ajudam na evangelização de crianças, jovens e adultos. São os que se doam, em base a seu compromisso batismal com Cristo e a Igreja, para ajudar a formar nos catequizados uma fé robusta. Esta os faz transformadores do convívio social na família cristã, nas atividades de todos os ambientes e situações, como no trabalho, na economia, na política, na comunicação e em toda a ação e organização humana. Ajudam a formar a consciência crítica, ou seja, saber fazer escolhas, tendo como base a opção de vida com os valores humanos inoculados por Deus na ordem natural e na revelação do Filho de Deus.

A catequese deveria ser a menina dos olhos de toda a ação da Igreja nas comunidades e organizações da mesma. Ao contrário, não teríamos uma formação sólida das consciências para a transformação da vida das pessoas e da sociedade, com os critérios e valores do Evangelho. Sem formação sólida da consciência cristã as pessoas são levadas pelo hedonismo, materialismo e relativismo, que não conduze as pessoas a atingir o sentido da vida que as faz verdadeiramente realizadas como pessoas humanas e filhas de Deus. Jesus mesmo diz que, sem Ele, nada podemos fazer.

Os catequistas são como uma bússola que indica a opção de vida na direção divina, à semelhança de Josué da Bíblia, que introduziu o povo judeu na terra prometida. Ele formou a consciência do povo para fazer opção entre Deus e seu projeto de vida  ou sua negação, indo para o abismo. Apresentou, pois, ao povo: servir a Deus ou aos falsos deuses. “Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Josué 2,17).

O serviço de amor feito por catequistas é de muita importância para a Igreja e a sociedade. Porém, os próprios catequistas devem sempre formar-se e atualizar-se para o melhor exercício de sua importante missão. Para isso, precisam ter, na comunidade eclesial, quem os valorize e forme. Assim, a própria comunidade e as pessoas ganham em qualidade e melhor orientação na vida.

José Alberto Moura, CSS –  Arcebispo Metropolitano de Montes Claros

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