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Um projeto chamado Emanuel

Brilha hoje uma luz sobre nós, pois nasceu para nós o Senhor! Nesse refrão que iremos entoar na manhã de natal temos a essência do que celebramos. Há, nas Sagradas Escrituras, a compreensão de que Deus tinha no horizonte de sua vontade o desejo de caminhar com seu povo, sendo-lhe próximo e dialogando com ele. É a essa aspiração que o autor sagrado nomeia de Emanuel, de Deus conosco.

Podemos, então, pensar que a encarnação que logo mais celebraremos não é outra coisa senão o cumprimento da vontade do Senhor de se abaixar para caminhar com os seus. Por isso, podemos ver na cena representada em nossos presépios algo semelhante ao que lemos no Gênesis: Deus, um casal, e toda a criação, em harmonia. Deus caminha novamente em meio aos seus, e encontra não mais o fechamento egoísta dos primeiros pais, mas corações disponíveis como os de José e Maria. Somente assim a criação pode voltar à concórdia.

Vale nos determos no Deus-menino. Ele se aproxima de nós, como todo recém-nascido, despido de vestes, mas, sobretudo, despido das imagens indicativas de um Deus distante da realidade humana. Em síntese, vem despido de todo juízo que não seja pautado no amor. Faz isso, lembra-nos São Paulo na carta a Tito (3,4-7), não porque merecemos, mas por pura misericórdia. Desvelou, assim, as marcas de inumanidade das quais padecemos, enquanto, simultaneamente, humanizou a face de Deus, já fendendo os véus que nos separam Dele.

É por isso que podemos dizer que a profecia de Isaías (62,11-12) se cumpriu. Não esperamos mais um salvador que virá, mas celebramos e anunciamos que Ele já veio, que nasceu para nós o Senhor. Eis que veio o Príncipe da Paz. Não aos moldes da realeza romana, mas se fazendo servo e estando ao lado dos pobres e excluídos. Os pastores que a Ele recorrem e, depois, a Ele anunciam, demonstram como o Deus-menino se deixa encontrar pelos mais simples.

Por isso, o cântico que hoje a noite ouviremos dos anjos, Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade, se propagará no anúncio da Igreja. É na partilha dos mais simples que o Evangelho vai maravilhando os corações dos homens. Assim, Lucas nos mostra que a difusão da Boa Notícia de que Deus está conosco é o prolongamento do cântico celeste do Glória. Este Deus das alturas se fez pequeno e desceu à nossa estatura, se fazendo Deus conosco. Emanuel não é, então, o nome do menino-Deus, mas o projeto sonhado pela Trindade desde antes da criação do mundo, em que a humanidade teria acesso direto a Deus, que mais uma vez caminha em seu meio. É, portanto, um projeto de proximidade, de carinho e cuidado, de nivelamento do olhar que só o amor é capaz de fazer.

Celebrando o Natal do Senhor, que renasça em nós essa certeza da proximidade de Deus, que renovemos a alegria de nos encontrarmos com Ele. Que aprendamos a anunciá-Lo em nossas vidas, levando outros a se maravilharem com essa Boa Notícia. Não esqueçamos que o menino Deus que hoje nasceu revela a face misericordiosa do Senhor, mas também nos revela a nós mesmos. Deixemo-nos iluminar pelo brilho da humanidade e divindade dessa criança, para que possamos caminhar rumo à nova humanidade. Afinal, brilha hoje uma luz sobre nós, pois nasceu para nós o Senhor! Um feliz e santo Natal.

Equipe Arquidiocese em Missão
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Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)

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